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Paulo José, 76 anos: "Meu parkinson de diversão"

Por Maya Santana

Ator  convive com o Mal de Parkinson há 20 anos

Ator convive com o Mal de Parkinson há 20 anos


Quando a gente lê sobre a vida do ator Paulo José desde que ele passou a sofrer do Mal de Parkinson, no início dos anos 90, não há como não se impressionar. É uma luta contínua contra a doença, que ele, bem humorado, chama de “Meu Parkinson de diversão”. Aos 76 anos, mantem a vida cheia: faz fisioterapia duas vezes ao dia, tem aulas de voz três vezes na semana, toca piano para exercitar os dedos, nada, faz fonoaudiologia às quintas e terapia corporal às terças. “E tomo remédios, muitos, cinco vezes ao dia”, conta. Agora, foi convidado para participar da próxima novela das 9 da Globo, Em Família, de Manoel Carlos. E aceitou o desafio.
Leia a entrevista de Cristina Padiglione com o ator, publicada no Estadão:
Há alguns meses, o autor Manoel Carlos perguntou a Paulo José se ele poderia escalá-lo para sua próxima novela das 9 na Globo, Em Família, e colocar em cena uma delicada reflexão sobre o Mal de Parkinson. “Sim”, respondeu, solícito, o ator e diretor que vem convivendo com a doença nos últimos 20 de seus 76 anos. Passos curtos, voz de timbre baixinho – mas não tímida –, Paulo encontra a reportagem do Estado na sala de estar de sua casa e logo vai explicando que sua eloquência não está nos melhores dias. Conta que acabou de fazer um relaxamento e isso não conspira a favor da voz, mas surpreende quando brinca que deveria dar entrevista cantando, e de fato canta, escancarando uma voz que parecia oculta.
Também avisa, de início, que não gosta de dar entrevistas. Fica tenso, o que não acontece quando recita seus poemas, quando canta ou interpreta um texto decorado. Mesmo assim, concordou em receber a repórter em seu paraíso, no alto da Gávea, onde vive cercado de livros – muitos livros –, cachorros, gatos e pelo menos dez pessoas que circulam por ali diariamente, entre os filhos, a mulher Kika Lopes e alguns poucos amigos. Há ainda os terapeutas, que se encarregam de uma rigorosa agenda de atividades. Faz fisioterapia duas vezes ao dia, tem aulas de voz três vezes na semana, toca piano para exercitar os dedos, nada, faz fonoaudiologia às quintas e terapia corporal às terças. “E tomo remédios, muitos, cinco vezes ao dia”, conta.
Depois das aulas de canto, grava poemas num estúdio que mantém em casa, o que vai render um audiobook. Fala que tem se dedicado muito a escrever. Como sempre lhe perguntam como lida com a doença, resolveu escrever um depoimento em primeira pessoa, relatando altos e baixos vividos nesses 20 anos. “Isso tudo faz parte da minha luta diária para manter o Parkinson como um coadjuvante – um coadjuvante de peso –, mas nunca um protagonista.”
Antes mesmo de receber os primeiros scripts de Manoel Carlos sobre seu personagem na novela Em Família, que estreia em janeiro, sob direção de Jayme Monjardim, Paulo José tem uma ideia do que o aguarda. Foi ele, afinal, quem sugeriu ao autor algumas situações “humilhantes” para retratar constrangimentos vividos por um portador de Parkinson. Para dar veracidade ao discurso, Paulo José terá liberdade de improvisar à vontade. Clique aqui para ler mais.

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