fbpx

Pauta difusa e derrota, mais uma vez

Por Maya Santana

As manifestações Brasil afora começaram no dia 15 de junho

As manifestações Brasil afora começaram no dia 15 de junho

Diego Viana

Para finalmente dar meu palpite sobre o furacão que  passou no Brasil nas duas últimas semanas, adotei dois princípios: pensar em  termos conceituais, em vez de impressionistas, e começar do começo. Os motivos,  espero, vão ficar claros ao longo do texto.

No começo, isto é, entre a porradaria geral da polícia  e a primeira manifestação realmente gigantesca, a interpretação geral era de um “aqui também”. Até então, o país que realmente estava fervendo era a Turquia. Lá  como cá, o primeiro vetor invocado para explicar a súbita capacidade de  motivação foi o acesso às redes sociais. Ou seja, a Turquia e o Brasil seriam  algo como um segundo tempo do animado ano de 2011, que teve Primavera Árabe,  Occupy Wall Street, indignados na Espanha, manifestações em Israel, Chile e mais  tantos outros países.

Mas eis que veio 2012, o ano da decepção: a Espanha,  como o resto da Europa, seguiu com suas políticas de austeridade; na Grécia, o  neonazismo ganhou terreno. No mundo árabe, os países sortudos se viram com  governos religiosos e conservadores; os azarados, com guerra civil. O Occupy  teve de se contentar em descobrir que não só Obama baixou a cabeça para Wall  Street, como, no que tange aos direitos civis, estava na mesma linha de Bush.  Derrotas, ao que parece.

Agora, 2013. Novos países entram na dança. Além da  Turquia e do Brasil, Índia e Indonésia, além de, mais uma vez, os bravos  chilenos, se colocam em movimento. Como sempre acontece, comparações pululam com  o famoso maio de 1968, quando a greve geral francesa, somadas às manifestações  dos estudantes franceses, se espalharam para o Leste Europeu, o México, o  Brasil, antes de resultar em derrota e apatia.

Algo nessa comparação, porém, não se encaixa. Em 1968,  o que houve de efetivo, como a greve que, sem eufemismos, parou a economia da  França, foi comandado pelos fortíssimos sindicatos da época, um tempo de  mobilização industrial e partidos de esquerda poderosos. Os caminhos para se  chegar aos objetivos, fossem quais fossem as pautas de cada grupo social  envolvido, à exceção provável dos estudantes, estavam bem traçados, até onde  podiam divisar os envolvidos.

Hoje, não há nada disso. Em 2011, os árabes queriam  derrubar seus ditadores. E depois? Os espanhóis queriam mandar embora o  neoliberalismo… e mais o quê? Os novaiorquinos eram contra a plutocracia, como  quase todo mundo. E assim por diante. No Brasil, as manifestações mais ou menos  pequenas contra a cara de pau do transporte público se expandiram da noite para  o dia numa maçaroca de gente despolitizada que protesta contra conceitos  abstratos como a corrupção, mas não quer saber de questões concretas como… a  corrupção do oligopólio do transporte. Com isso, as mesmas críticas endereçadas  aos indignados e ao Occupy voltaram: as pautas são difusas, as pessoas não  propõem nada de concreto. Clique aqui para continuar lendo.

 

 

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário