Marina, Dilma e Luciana: três mulheres pela 1º vez

Por Maya Santana
Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro: primeira vez nos 514 anos do Brasil

Dilma Rousseff, Marina Silva e Luciana Genro: as primeiras em 514 anos

Maya Santana

Estas eleições presidenciais de domingo, 5 de outubro, têm as suas próprias particularidades, mas o que realmente chama a atenção é que, pela primeira vez na História desse país tão machista, três mulheres, as três oriundas da esquerda, disputam o cargo mais importante da nação: Dilma Rousseff (PT), 66, Marina Silva (PSB), 58, e Luciana Genro(PSOL), a mais jovem delas, com 43 anos. À parte o fato de serem do sexo feminino e de todas terem passado pelo PT, nada mais une as três candidatas, de estilos e história de vida tão diferentes.

As atenções da maioria dos eleitores, naturalmente, estão voltadas para duas delas que, levando-se em conta o resultado das pesquisas de intenção de voto, devem disputar o segundo turno, em 26 de outubro. Marina Silva e Dilma Rousseff estão mostrando, na verdade, que o segundo turno já começou, com os ataques que os dois lados estão desferindo um no outro. Esta também é uma novidade histórica: duas mulheres concorrendo na reta final. Se Marina ganhar, será a primeira negra presidente do Brasil. Se for Dilma a vencedora, passará para a história como a primeira mulher a governar o país duas vezes.

Luciana Genro. 43, concorre pela primeira vez pelo PSOL

Luciana Genro. 43, concorre pela primeira vez, pelo PSOL

Por ter pouquíssimo tempo de televisão, Luciana Krebs Genro, com toda a sua contundência, se expõe menos ao eleitorado. É a mais à esquerda das três e, aos contrário das outras duas, concorre à presidência pela primeira vez. Nascida em Santa Maria, Rio Grande do Sul, ela é filha do ex-ministro e atual governador do estado, Tarso Genro (PT), e de Sandra Krebs Genro. Advogada, é casada pela segunda vez. Não tem filhos.

Aos 14 anos, Luciana já militava no movimento estudantil de Porto Alegre. Jovem ainda filiou-se ao PT, mas foi expulsa do partido em 2003. Exerceu mandatos de deputada estadual e federal, chegando em quarto lugar na disputa pela prefeitura da capital gaúcha, em 2008. É uma das fundadoras do PSOL, partido pelo qual concorre agora à presidência. Nas pesquisas de intenção de voto, costuma ter em torno de 1% da preferência do eleitorado.

Dilma Rousseff, 66, busca a reeleição na eleição de 5 de outubro

Dilma Rousseff, 66, busca a reeleição na eleição de 5 de outubro

Caminhando para completar 67 anos – em dezembro -, Dilma Vana Rousseff é a mais velha delas. Esse é apenas um dado, porque o que se vê é uma candidata com muita disposição, as mangas arregaçadas, pronta para a luta feroz, bruta, que já está aí. De ascendência búlgara, ela nasceu em Belo Horizonte, onde começou os estudos. Presa e torturada entre 1970 e 1972, durante a ditadura militar, quando ganhou a liberdade, se estabeleceu em Porto Alegre. Formou-se em Economia. E lá começou a sua carreira política. Ajudou a fundar o PDT no Rio Grande do Sul, partido que deixou em 2001 para se filiar ao PT.

Dilma casou-se, teve uma filha, Paula, mãe de seu único neto, Gabriel. Seu estado civil é dado como divorciada. Ela chamou a atenção do presidente Lula, quando trabalhava como Secretária Estadual de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. Levada para Brasília, em 2002, assumiu o ministério de Minas e Energia. E mais tarde, a Casa Civil. Seguiu com o presidente Lula nos dois mandatos.

Dilma foi a escolhida para sucedê-lo. A primeira mulher com chances reais de chegar à presidência. Disputando com José Serra, do PSDB, a candidata petista garantiu seu lugar na História ao tornar-se a 36ª presidente do Brasil, em outubro de 2010. Agora, quatro anos depois, ela tenta a reeleição.

Marina Silva, 57,  também concorre pela segunda vez à  presidência da República

Marina Silva, 57, também concorre pela segunda vez à presidência

Como Dilma, Marina Silva – Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima – está se candidatando pela segunda vez, cedendo às decisões do destino, depois da morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, de quem ela era, até então, a vice. A candidata do PSB nasceu na localidade de Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre. Seus pais, nordestinos, tiveram 11 filhos. Perdeu a mãe quando tinha 15 anos. Na juventude, contraiu uma série de doenças – hepatite, malária, leishmaniose – e trabalhou como empregada doméstica.

O que mais realça quando se lê sobre a vida de Marina é que, até os 16 anos, ela era analfabeta. Matriculou-se no Mobral e, a partir daí, começou a mudar a própria trajetória. Entrou para a faculdade, formando-se em História, com pós-graduação em Teoria Psicanalítica. Ela se casou duas vezes – tem dois filhos de cada casamento: Moara, Mayara, Shalon e Danilo. Sua militância política começa lá atrás, como membro importante do grupo que cercava o ambientalista Chico Mendes.

Em 1985, filiou-se ao PT e foi a vereadora mais votada de Rio Branco, a capital do Acre. Elegeu-se deputada federal e, mais tarde, senadora, aos 36 anos. Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, deixou o cargo em 2008, filiando-se ao Partido Verde (PV), legenda com a qual concorreu à presidência, em 2010, obtendo mais de 20 milhões de votos. Volta agora concorrendo pelo PSB, partido criado por Eduardo Campos. Assim como Dilma, Marina Silva tem aparecido bem nas pesquisas de intenção de voto.

Num país com déficit tão pronunciado de participação feminina na política, não há como não classificar de extraordinária a presença de três mulheres na corrida pela presidência pela primeira vez em 514 anos. Mais extraordinário ainda é o fato de o Brasil estar se preparando para eleger presidente da República, pela segunda vez consecutiva, uma mulher.


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1 Comentários

Ana 17 de setembro de 2014 - 11:50

Uma delas será presidente. Acho q vai dar marina na cabeça. Tudo depende agora da campanha dela. Marina é um fenômeno.

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