Pela primeira vez, uma mulher comanda o “Le Monde”

Por Maya Santana
Natalie Nougayrède, 46 anos, à frente do jornal de maior prestígio da França

Natalie Nougayrède, 46 anos, à frente do jornal de maior prestígio da França

“Le Monde”, o diário de mais prestígio na França, já tem diretor. Ou melhor, diretora, a primeira na história do jornal. Na sexta-feira, foi escolhida uma mulher de 46 anos, 17 dos quais no “Le Monde”; tímida, elegante e com caráter, além de fama de boa profissional. Seu nome é Natalie Nougayrède.

O jornal estava acéfalo desde a morte súbita do diretor anterior, Erik Izraelewicz, no fim de novembro. Inscrita como candidata de última hora, na primeira entrevista causou forte impressão. Depois da quarta entrevista e duas semanas de dúvidas, foi selecionada pelos controladores por cima dos outros três candidatos com mais experiência e passou pelo crivo da sociedade de redatores, na qual tinha que obter, pelo menos, 60% dos votos. Conseguiu 80%. Ela reconheceu que “meu inimigo pessoal é a comunicação”. Escolheu para ocupar o segundo lugar o atual diretor de “Libération”, Vincent Giret, bom administrador, de fácil relacionamento e conhecedor da mídia digital. No dia 6, seu nome foi ao conselho de supervisão, uma formalidade.

Filha do engenheiro de uma multinacional, Natalie morou em Londres, onde aprendeu inglês com quatro anos, e no Canadá, onde estudou russo. Quis ser médica, mas optou pelo jornalismo para poder viajar e porque assim tinha que entrevistar pessoas e “superar uma parte da timidez”, como disse.

Diretora terá que recuperar a circulação do jornal e desenvolver a versão digital

Diretora terá que recuperar a circulação do jornal e desenvolver a versão digital

Cobriu o conflito dos Bálcãs para “Libération”. Entrou no “Le Monde” em 1996, foi correspondente em Moscou e, desde 2005, correspondente diplomática. Suas análises nem sempre agradaram ao poder; chegou a ser expulsa de um encontro no Quai d’Orsay, o Ministério das Relações Exteriores.

A tarefa da nova diretora não será fácil. Ela terá que recuperar a circulação do jornal e desenvolver a versão digital. Considerado no passado o principal formador de opinião e da agenda de debates, alimento diário dos intelectuais e leitura indispensável para a elite francesa, “Le Monde” enfrentou problemas econômicos e uma crise de credibilidade. Ao ser sabatinada pela redação, Natalie disse que seu objetivo será manter a qualidade e a independência do jornal.

“Le Monde” foi fundado em dezembro de 1944, pouco tempo depois de Paris ser liberada da ocupação alemã, por decisão do general Charles de Gaulle. Ele queria que a França tivesse um grande jornal, respeitado internacionalmente, como “The Times”, de Londres. Leia mais em valor.com.br


CONTEÚDO PUBLICITÁRIO

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário





1 Comentários

ana 16 de março de 2013 - 12:00

Mais uma mulher em um alto cargo. Beleza.

Responder

Utilizamos cookies essenciais de acordo com a nossa Política de Privacidade e ao continuar navegando, você concorda com estas condições. Aceitar Leia mais