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Eu levei um susto quando a minha ginecologista, que havia me pedido para fazer um exame de densitometria óssea, me falou do resultado: alto risco de fratura do quadril, em razão de uma osteoporose que avançava silenciosamente. Nunca havia sentido uma dor. Mas admito que fui negligente: passei cinco anos sem fazer esse exame, que antes realizava a cada dois anos.
Só depois fui me informar e descobri que, por causa do envelhecimento rápido da população, a perda progressiva de massa óssea é um processo que já atinge milhões de pessoas e pode comprometer seriamente a autonomia na velhice.
Ao longo da vida, os ossos estão em constante renovação. Enquanto células retiram tecido ósseo antigo, outras produzem tecido novo. Com o passar dos anos, porém, esse equilíbrio pode se alterar e a perda de massa óssea pode superar a formação de osso.
Esse processo costuma se acelerar a partir da meia-idade. Nas mulheres, a redução dos níveis de estrogênio depois da menopausa pode provocar uma perda óssea mais rápida. Nos homens, a diminuição também ocorre, geralmente de maneira mais gradual.
Doença silenciosa
O problema é que a perda de massa óssea costuma ser silenciosa. A pessoa pode não sentir dor ou perceber qualquer mudança até sofrer uma fratura. Por isso, a osteoporose é frequentemente chamada de “doença silenciosa”.
Quadril, coluna e punho estão entre as regiões mais atingidas pelas fraturas relacionadas à fragilidade óssea. Para uma pessoa mais velha, uma fratura pode significar muito mais do que algumas semanas de recuperação. Ela pode provocar perda de mobilidade, dependência, medo de cair e redução importante da qualidade de vida.
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As consequências também atingem as famílias e os sistemas de saúde. Uma população que envelhece rapidamente precisa estar preparada para lidar com um número crescente de pessoas vulneráveis a quedas e fraturas.
Antes da velhice
A prevenção começa muito antes da velhice. Alimentação adequada, com ingestão suficiente de cálcio e vitamina D quando indicada, atividade física regular e exercícios que envolvam sustentação do próprio peso ajudam a preservar a saúde dos ossos. Musculação e exercícios de equilíbrio também são importantes porque contribuem para a força muscular e podem reduzir o risco de quedas.
Outro cuidado fundamental é evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Alguns medicamentos e determinadas doenças também podem favorecer a perda óssea e precisam ser avaliados pelo médico.
A avaliação do risco de osteoporose torna-se especialmente importante com o avanço da idade e diante de fatores de risco. Quando indicado, o exame de densitometria óssea permite avaliar a densidade mineral dos ossos e ajudar na identificação de pessoas que precisam de acompanhamento ou tratamento.
Prevenido ou retardado
Envelhecer não significa necessariamente ficar com os ossos frágeis. O processo de perda óssea pode ser prevenido, retardado ou tratado em muitas situações. O mais importante é não esperar uma fratura acontecer para começar a cuidar da saúde dos ossos.
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À medida que o Brasil envelhece, preservar a massa óssea deixa de ser apenas uma questão individual. É também uma questão de saúde pública. Viver mais deve significar viver com independência, mobilidade e qualidade de vida — e ossos fortes são parte essencial dessa equação.
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