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Há poucos anos, entrevistada pela apresentadora Oprah Winfrey, ao lado da lendária Tina Turner, quando perguntada o que achava do envelhecimento a cantora Cher, de maneira sonora, para toda a audiência ouvir bem, respondeu: Acho uma merda.”
Todo mundo morreu de rir. Ela é conhecida pela franqueza de seus comentários a respeito do envelhecimento: “Eu Odeio isso,”, disse recentemente num programa do canal americano CBS.
Além de falar de sua aversão à passagem do tempo,a diva comentou também sobre as críticas que recebe por seu relacionamento com um homem quase 40 anos mais novo do que ela, o produtor musical Alexander Edwards, de 39 anos: “Eles não estão vivendo a minha vida. Ninguém sabe o que acontece entre nós, mas a gente se diverte muito.”
Leia o artigo completo publicado por O Globo:
“Eu odeio isso.” Foi assim, sem rodeios, que Cher respondeu à pergunta sobre envelhecer. A cantora de “Believe” completou 79 anos em maio e, durante uma entrevista ao programa CBS Mornings, com a jornalista Gayle King, foi direta ao ser questionada se havia aprendido a gostar da passagem do tempo. “Fico esperando essa sensação de maturidade chegar e não tenho nenhum receio em relação ao envelhecimento. E você?”, perguntou King, de 70 anos. Cher não hesitou: “Sim, eu odeio isso! Sou 10 anos mais velha que você, querida!”.
A artista, que transformou a própria imagem em um símbolo de reinvenção e longevidade, parece não se render à ideia de que os anos trazem sabedoria. “Ah, eu sou estúpida. Não sou mais sábia”, completou, rindo.
Cher brinca, mas a fala tem o peso de uma mulher que atravessou seis décadas de carreira, inúmeras transformações na indústria da música e, ainda assim, se recusa a vestir o papel de “ícone envelhecido”. “Não sei fazer mais nada além disso. O que vou fazer? Amo o que faço”, disse ao relembrar uma entrevista antiga, de 1991, também à CBS, quando afirmou: “Quero estar com 75 anos fazendo as mesmas coisas que faço hoje, e acho que não consigo fazer isso a menos que cuide do meu corpo.”
Ela conseguiu. Mas, agora, reconhece que o tempo tem outro ritmo — mesmo que a mente siga dançando no refrão que a imortalizou: “Do you believe in life after love?” Talvez o amor continue, mas o corpo, ela admite, muda.
Pouco antes de falar sobre o envelhecimento, Cher comentou seu relacionamento com o produtor musical Alexander Edwards, de 39 anos, uma diferença de idade que ainda gera comentários nas redes sociais. Para ela, no entanto, isso nunca foi um obstáculo. “Ele simplesmente diz: ‘Sabe, a gente envelhece, mas o espírito permanece jovem’”, contou.

E parece ser nesse espírito que o casal vive. “O motivo pelo qual a gente se dá tão bem é porque rimos o tempo todo”, afirmou.
Cher se derrete ao falar do companheiro: “Acho ele lindo. Ele é muito talentoso. É uma das pessoas mais talentosas que já conheci.”
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Quando questionada sobre as críticas que recebe pelo relacionamento, a cantora — que desde os anos 1960 aprendeu a lidar com os holofotes e julgamentos — é categórica: “Tanto faz. Eles não estão vivendo a minha vida. Ninguém sabe o que acontece entre nós, mas a gente se diverte muito.”
A fala ecoa o mesmo espírito livre que marcou sua trajetória. Cher nunca seguiu o script — nem no amor, nem na arte, nem no modo de envelhecer. Mesmo ao dizer que “odeia” a passagem do tempo, ela parece afirmar o contrário: que viver, afinal, é continuar criando, mesmo quando o corpo acusa o cansaço.
Como fez recentemente na abertura da exposição Swarovski Masters of Light, em Los Angeles, Cher reafirma que a idade, para ela, é um incômodo, mas não uma barreira.
Talvez o segredo esteja na própria canção que a tornou imortal. Se, lá atrás, ela perguntava se havia vida após o amor, hoje, aos 79, parece nos provocar outra questão: existe vida após a juventude?
Cher não tem todas as respostas e admite isso com a mesma ironia que a mantém humana, e não apenas mítica. “Sou estúpida. Não sou mais sábia”, disse. Mas, ao rir de si mesma, ela talvez revele uma sabedoria silenciosa: a de quem sabe que o tempo passa, mas o espírito pode continuar cantando, dançando e acreditando.
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