Por que deixamos o nosso pior tomar conta de nós?

Por Maya Santana
Reservamos o melhor de nós para ocasiões sociais

Reservamos o melhor de nós para ocasiões sociais

Este é um assunto do nosso dia-a-dia que quase nunca questionamos: por que será que reservamos a melhor parte de nós – o sorriso, a civilidade, a roupa bonita, o bom humor para as ocasiões sociais e deixamos o nosso pior para as pessoas de quem gostamos e estão mais perto de nós? Infelizmente, por pouca sabedoria do ser humano, talvez, quase sempre é assim, como explica a socióloga Mirian Goldenberg neste artigo para a Folha de São Paulo.

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Tenho pesquisado mulheres brasileiras há mais de 25 anos. Elas dizem que querem ser “elas mesmas”, e, mais ainda, que querem ser “o seu melhor”. No entanto, dão inúmeros exemplos de situações em que só conseguem ser “o seu pior”.

Uma professora de 47 anos disse: “Quando casei foi a realização do meu maior sonho. Eu amava tudo o que o meu marido fazia. Hoje, 20 anos depois, acho tudo um tédio, chato, sem graça. Queria voltar a sentir o tesão do início”.

O que acontece, com o passar do tempo, que destrói “o tesão do início” e faz com que tudo o que despertava paixão passe a provocar raiva, irritação ou indiferença?

Uma psicóloga de 40 anos contou: “Os primeiros anos com meu marido foram deliciosos. Ele chegava do trabalho, nos beijávamos muito e passávamos horas na cama transando, conversando, brincando. Hoje, temos preguiça de tudo, até de transar. Só não temos preguiça de brigar e de implicar um com o outro”.

Após anos de pesquisas, uma questão me inquieta: por que parece mais fácil ser o nosso pior do que o nosso melhor nas relações que são mais fundamentais em nossas vidas? Por que exibimos o nosso melhor lado, vestimos a melhor roupa, exercemos o melhor humor em ocasiões especiais (ou no Facebook) e, na maior parte do tempo, deixamos o nosso pior tomar conta?

Por que a energia para ser o nosso pior parece ser tão mais poderosa? Por que dá muito mais trabalho ser o nosso melhor?

Uma dermatologista de 50 anos disse: “Casei com o grande amor da minha vida e nos últimos anos eu só reclamava, me irritava com bobagens, estava insatisfeita com tudo. Nosso amor foi minguando, pois não prestávamos mais atenção nos cuidados, nos carinhos, nas delicadezas. Sempre me pergunto: ‘Em que momento deixei de ser o meu melhor para ser apenas o meu pior?'”.

Como seria a nossa vida se fôssemos capazes de manter o nosso “eu melhor” todos os dias, e não apenas em festas e ocasiões especiais?

Como seria se voltássemos a sentir o mesmo tesão e o mesmo encantamento como se fosse sempre a primeira vez?

Que em 2014 cada um de nós consiga ser “o seu eu melhor” sempre.

Feliz Ano-Novo!


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