
Marlene Damico Lamarco
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Através dos relacionamentos a gente cresce, aprende, troca, ama e se reconhece como ser humano. Porém, sabemos por experiência própria, que nem sempre as nossas relações são pautadas pelo que sentimos.
Nossos contatos se baseiam também em expectativas, aprovações sociais, ligações voltadas aos valores externos e bem distantes dos sentimentos de verdade que subjazem em cada um de nós.
É importante expressar o que sentimos para que possamos nos conhecer e criar pontes que fertilizem a amizade, vínculos de confiança, sentimentos de cumplicidade e de busca espiritual.
Precisamos desenvolver o “olhar do coração”, pois sem esse olhar fica muito difícil criar laços e desfrutar das inúmeras descobertas que o verdadeiro contato afetivo pode nos proporcionar.
A família humana cresce e aprende junto, mas é entre as pessoas do mesmo sangue, e geralmente sob o mesmo teto, que acontecem as mais desafiantes experiências de evolução.
É na intimidade que nos reconhecemos, e é ali, naqueles momentos mais banais, que aprendemos e ensinamos o amor.
Precisamos da segurança da família para criar a coragem de arriscar novos voos, pois ali vivenciamos a confiança do amor que os laços de sangue criam e fortalecem.
A história que agora compartilho, cuja autoria desconheço,fala com o coração e sintetiza o tema: “Com a saúde bastante debilitada e preocupado com o destino de sua família, um patriarca chama seus filhos e faz um pedido. Cada um deles teria que se apresentar diante dele com uma vara nas mãos. Apesar do inusitado, eles obedeceram.Quando estavam todos presentes, o pai pediu que cada um quebrasse, sem receios, a sua própria vara. Eles cumpriram, sem dificuldades, o desejo do ancião. Em seguida, o homem pediu que o filho mais forte juntasse todos os pedaços das varas num único feixe e partisse de uma só vez todas elas ao meio. Apesar da sua força e virilidade, o rapaz não conseguiu sequer fazer estalar o monte de varas.
Diante dessa cena, o velho chamou a atenção de todos e informou que as varas representaram cada membro de sua família. Se cada um pensasse somente nas suas próprias necessidades, seriam fracos e vulneráveis. Mas, se todos se mantivessem unidos, seriam fortes e venceriam todas as adversidades”.
Essa ilustração mostra que poucas coisas são tão valiosas quanto a união entre as pessoas. A oportunidade de conviver em grupo nos abre caminhos para aprender novas perspectivas e transformar diferenças individuais antagônicas em energias complementares. Basta que se respeite o talento e a individualidade de cada ser.
A cumplicidade que nasce entre as pessoas que sabem “contemplar com o olhar do coração” traz a paz interior e constrói, a partir desta, a paz no mundo.
Que cada gravetinho reconheça seu próprio valor e a força que possui quando se une aos outros. Que cada família se perdoe e se fortaleça através do amor, para que a família humana seja mais feliz!
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