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Prazeres da “Melhor Idade”, Ruy Castro

Por Maya Santana

Estamos com tudo e os demais podem ir lamber sabão

“melhor idade” – algo entre os 60 anos e a morte

(Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é dos 18 aos 40 anos…) A voz em Congonhas anunciou: “Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.”. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a “melhor idade” – algo entre os 60 anos e a morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da “melhor idade” são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da “melhor idade”, estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da “melhor idade” é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: “Voltando da farra, Ruy?”. Respondi, eufórico: “Que nada! Estou voltando da farmácia!”. E esta, de fato, é uma grande vantagem da “Melhor Idade”: você extrai prazer em qualquer lugar a que consiga ir. Primeiro, a aposentadoria é pouca e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois, vem a condução. Clique aqui para ler mais.

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5 Comentários

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Phabinius 9 de janeiro de 2020 - 13:29

“Em 28/1, publiquei uma crônica em que ironizava o uso da expressão ‘melhor idade’ para definir os maiores de 60 anos. Entre outros privilégios dessa idade, citei o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a queda de cabelo, a obesidade e as disfunções sexuais. Intitulei-a ‘Prazeres da melhor idade’”.

O uso adequado das palavras e sua interpretação é uma arte para muito poucos. O texto de um autor deve ser, acima de tudo, respeitado na íntegra. Quanto a isso, Ruy Castro finaliza:

“Um leitor achou de transcrevê-la e ampliá-la a seu jeito. Na verdade, triplicou-a de tamanho, usando chulices que não costumo empregar, e alterou o título para ‘Melhor idade é a p.q.p’. (por extenso). Assinou-a com meu nome e disparou-a pela internet. De vez em quando, recebo-a de amigos, com cumprimentos pela ideia, e eles parecem desapontados quando digo que é uma fraude”.

“Assinar o que não se escreveu é pior que sofrer do lumbago alheio”.

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nenez 20 de maio de 2015 - 19:00

Adorei!!!!!!! Não sei de onde eles tiraram esta melhor idade! só se, aos 68 ,não cheguei lá ainda !

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Rita 20 de abril de 2015 - 16:20

tttt

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Fernanda Gama 19 de abril de 2015 - 18:58

Real .isso é uma motivação pra não querer morrer jovem.!!!????
tbm não vejo nada de melhor, #MELHOR QUE MORRER DEVIA SER KKKK

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maria lucia padua pacheco 19 de abril de 2015 - 14:07

Estou na “melhor idade” e PRECISO desse bom humor!!!

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