
Ricardo Bastos
50emais
Setembro também é o mês da campanha global de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, uma doença que afeta cerca de 1,5 milhão de brasileiros e 55 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A iniciativa, liderada internacionalmente pela Alzheimer’s Disease International (ADI) e no Brasil pela Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), tem como lema de 2025: “Nunca é cedo demais, nunca é tarde demais”. O objetivo é claro: informar, reduzir o estigma e estimular a prevenção e o cuidado humanizado.
Envelhecer com saúde cognitiva é possível
Apesar de não haver cura para o Alzheimer, muitos estudos indicam que até 40% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados com mudanças no estilo de vida. Os 12 fatores de risco modificáveis incluem:
- Hipertensão e diabetes sem controle
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
- Sedentarismo e isolamento social
- Baixo nível educacional
- Perda auditiva não tratada
A adoção de hábitos saudáveis – como atividade física regular, dieta equilibrada, leitura, jogos de memória, convívio social e novos aprendizados – fortalece o cérebro e protege a mente. Também é importante tratar transtornos como depressão e ansiedade, que são fatores agravantes.
Mulheres 50+: mais vulneráveis, mais potentes
Estudos indicam que as mulheres representam quase dois terços das pessoas diagnosticadas com Alzheimer no mundo. A expectativa de vida mais alta, as mudanças hormonais da menopausa, a sobrecarga mental e a solidão são fatores que impactam diretamente na saúde cerebral das mulheres com mais de 50 anos.
Além disso, muitas também estão na posição de cuidadoras de mães, sogras ou companheiros com demência. Isso as torna duplamente vulneráveis: ao risco da doença e ao desgaste do cuidado.
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Investir em autocuidado, manter vida social ativa, fazer exames regulares e buscar informação de qualidade são formas de prevenir e enfrentar os desafios com dignidade e autonomia.
Diagnóstico precoce e novas terapias
O reconhecimento dos primeiros sinais é essencial. Alterar a rotina, esquecer compromissos recentes, repetir perguntas e perder-se em trajetos conhecidos podem ser indicativos da fase inicial da doença. O acompanhamento com neurologista, geriatra ou psiquiatra permite investigações adequadas.
Em 2024, os Estados Unidos aprovaram o medicamento Donanemab, um anticorpo monoclonal que demonstrou retardar a progressão do Alzheimer leve em estudos clínicos. Apesar dos avanços, o acesso é restrito e os efeitos colaterais exigem cautela. No Brasil, o tratamento ainda é sintomático e depende do SUS ou da medicina privada.
O cuidado com quem cuida
Cuidar de uma pessoa com Alzheimer é um desafio emocional, físico e social. Estima-se que os cuidadores dedicam, em média, 47 horas semanais ao cuidado, muitas vezes sem apoio estruturado.
Por isso, é fundamental:
- Dividir responsabilidades com familiares ou serviços especializados;
- Manter o autocuidado físico e emocional do cuidador;
- Participar de grupos de apoio e buscar formação sobre a doença;
- Utilizar abordagens como terapia de reminiscência, música e estimulação sensorial.
O papel da empatia na convivência
A convivência com o Alzheimer exige paciência, adaptação e respeito à autonomia da pessoa diagnosticada. Pequenos gestos diários – como conversar com calma, manter uma rotina estruturada e evitar discussões – são fundamentais.
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A geriatra Dra. Helena Andrade, da ABRAz, resume: “Enquanto a cura não vem, precisamos de uma sociedade mais consciente, que cuide com empatia de quem enfrenta a demência e de quem dedica sua vida a cuidar”.
Falar sobre Alzheimer é falar de todos nós. Envelhecer com dignidade inclui a memória, o afeto e o direito ao cuidado.
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