Precisa-se de matéria prima para construir um país

Por Maya Santana
"Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito"

“Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito”

Daqui a um mês – em 5 de outubro -, vamos eleger não só um novo presidente do país, mas governadores, senadores, deputados federais e estaduais. É um momento para profunda reflexão sobre quem realmente queremos para nos representar e levar adiante as mudanças que o Brasil precisa. Por isso, decidi postar essa crônica do jornalista e escritor João Ubaldo Ribeiro,- falecido recentemente – publicada pela primeira vez em 2005 e atualíssima.

Leia:

“A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA” é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal… E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE
ESTÃO.

Pertenço ao país onde as “EMPRESAS PRIVADAS” são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos …e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu “puxar” a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.

Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem “gatos” para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.” Clique aqui para continuar a ler.


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1 Comentários

lisa santana 4 de setembro de 2014 - 10:46

Maravilhosa a crônica. Seja na política, seja na nossa individualidade, somos frutos de nós mesmos? Sartre, quando disse que “o problemas são os outros” só queria dizer, que o outro nos mostra a nós mesmos. É preciso que cada um se pergunte como se é como cidadão. Aliás, quantos brasileiros sabem o que é ser cidadão e o que é cidadania? Se fosse a maioria, com certeza seríamos um país melhor.

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