fbpx

Psicanalista: “As mulheres não se compreendem”

Por Maya Santana

Malvie Zalcberg nasceu na Bélgica e cresceu no Brasil

Malvine Zalcberg nasceu na Bélgica e cresceu no Brasil

“Muitas mães não querem se separar (da filha) e não deixam a filha se libertar. A mãe que consegue se separar eu chamo de heróica. Porque todas têm vontade de sair correndo atrás da filha. Eu tenho até hoje”. Estas são algumas das afirmações feitas pela psicanalista Malvine Zalcberg nesta entrevista à coluna “Conte algo que não sei”, de O Globo. A psicanalista, nascida na Europa e criada no Brasil, afirma que a mulher tem uma formação psíquica “muito mais complicada do que o homem” e que elas próprias “não se compreendem”.

Leia a entrevista:

“Nasci na Antuérpia (segunda maior cidade da Bélgica), mas tive a sorte de vir pequena para o Brasil, crescer aqui e adotar a cidadania brasileira. Fiz mestrado e doutorado em psicanálise na PUC-Rio e dei aulas na Uerj por 26 anos. Pensar na relação com a minha mãe e a minha filha me fez ver a importância de saber se posicionar nessa relação.”

Conte algo que não sei.

Por que se diz que é tão difícil compreender as mulheres e não os homens? A mulher tem uma formação psíquica muito mais complicada. A maneira de ela deixar de ser menina e se tornar mulher tem características específicas. Há um desencanto dos homens por não compreenderem as mulheres, mas a grande questão é que as mulheres é que não se compreendem.

Quais são essas características específicas na passagem da menina para a mulher?

Na minha experiência profissional, vi que o papel da mãe tinha um valor enorme, que regia a vida da filha. As mulheres vivem essa situação de forma intensa e muito dramática, às vezes. Nos anos idílicos, quando a menina tem 10, 11 anos e vive grudada na mãe, as duas falam a mesma língua, que é a língua da mãe. Isso dá a ela um poder enorme sobre a filha.

A filha também demanda a mãe nesse período, não?

A filha fica colada na mãe porque é a mãe que mostra para ela o que é ser mulher. Só que nem sempre a mãe entende isso e fica dizendo: “Minha filha me ama”. Como toda mulher quer sempre ser amada, a mãe tenta manter essa língua de amor com a filha, sem perceber que a menina precisa encontrar a sua própria fala, que é o que acontece na adolescência. Se a mãe entrar com muito poder nos anos idílicos, esse processo é interrompido.

Mas essa libertação da filha em relação à mãe é possível?

É muito possível, mas é preciso fazer uma construção que muitas vezes a mulher acha que não é capaz. Essa construção é que vai formar a mulher. Muitas vezes digo no consultório: “você não é mais aquela menininha”. E as pacientes tomam um susto. O ideal é a gente mudar o discurso da mãe, porque muitas mães não querem se libertar e não deixam a filha se libertar. O amor exagerado sufoca qualquer filho ou filha.

O que acontece se mãe e filha não se separam?

Dificulta muito a vida da filha. A mãe que consegue se separar eu chamo de heroica. Porque todas têm vontade de sair correndo atrás da filha. Eu tenho vontade até hoje. É preciso perceber quando a filha realmente precisa de você. Quanto mais a filha se distingue da mãe, mais próxima como mulher ela pode ficar. Esse é um esforço que, se a mãe ajudar a filha a se libertar, haverá uma eterna gratidão. Caso contrário, há uma mágoa. Clique aqui para ler mais.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

17 − seis =