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Publicidade: o machismo é a regra da casa

Por Maya Santana

Abuso: peça publicitária da campanha 'Verão' da Itaipava

Abuso: peça publicitária da Itaipava

Todo mundo sabe que o Brasil é um país machista. E que isso se reflete em tudo. Mas é nos anúncios publicitários que os machos soltam verdadeiramente a franga, escancarando para todo mundo ver o conceito baixo que têm da mulher. Quando vejo algumas dessas peças publicitárias mostrando a mulher de maneira tão vulgar, tão desprovida de qualquer valor, fico me perguntando se seus autores se dão conta que estão tornando o mundo mais difícil para suas mães, irmãs, filhas, primas, cunhadas, namoradas, amigas, vizinhas, tias e netas. Qualquer uma delas pode ser vítima desse machismo que torna o Brasil um dos campeões em assassinatos de mulheres. Nossas estatísticas de estupros são assustadoras. E as de maus-tratos, revoltantes.

Leia esse artigo de Andrea Dip para o El Pais sobre o teor abusivo de alguns dos nossos comerciais:

Não existem muitos casos de propagandas machistas no Brasil porque a publicidade brasileira é madura para perceber que a pior coisa que pode fazer é irritar o consumidor, seja ele mulher, homem ou criança. De qualquer forma, nós não temos uma declaração oficial a respeito desse assunto”. Essa foi a resposta da assessoria de imprensa do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por telefone, à pergunta da Pública referente a algumas peças publicitárias lançadas no Carnaval e no Dia Internacional da Mulher, rechaçadas nas redes sociais por serem consideradas machistas – algumas inclusive retiradas de circulação.

O Conar é um órgão de autorregulamentação das agências publicitárias, encarregado de receber denúncias de consumidores ou órgãos públicos e julgar se a propaganda deve ser tirada do ar e a agência eventualmente advertida. Das 18 denúncias de machismo em propaganda recebidas em 2014 (pesquisadas pela Agência Pública no site do Conselho), 17 foram arquivadas, e apenas uma, da cerveja Conti, que dizia em sua página do Facebook “tenho medo de ir no bar pedir uma rodada e o garçom trazer minha ex” terminou com um pedido de suspensão e advertência da agência que realizou a campanha.

Outra campanha, do site de classificados bomnegócio.com, em que o Compadre Washington chamava uma mulher de “Vem ordinária”, que havia recebido pedido de suspensão, foi posteriormente reavaliada e o processo arquivado. As justificativas das decisões geralmente são de que as propagandas não são machistas mas sim humorísticas, como esta de março de 2014, referente a um spot de rádio da Itaipava: “Uma consumidora paulistana entendeu haver preconceito machista em spot de rádio da cerveja Itaipava. A anunciante e sua agência alegam o caráter evidentemente humorístico da peça publicitária. O relator aceitou esse ponto de vista e recomendou o arquivamento, voto aceito por unanimidade”. Clique aqui para ler mais.

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