
Ricardo Bastos
50emais
O Capital Moto Week 2025, realizado de 24 de julho a 2 de agosto, no Parque da Granja do Torto, consolidou-se como um espaço multigeracional. Com cerca de 800 mil participantes e mais de 300 mil motos, o evento teve uma presença significativa de pessoas com mais de 50 anos – veteranos do motociclismo, fãs de rock clássico e protagonistas de histórias afetivas que atravessam gerações
Quatro gerações reunidas
Entre tantos relatos inspiradores, destaca-se o da dona Maria Helena Valério de Lima, que completou 85 anos no festival, comemorando ao lado da família em uma celebração que simboliza a passagem do tempo e do amor sobre duas rodas, veja a reportagem completa no Capital Moto Week.
Cearese, atualmente residente em Vitória (ES), Maria Helena celebrou seu aniversário no Capital Moto Week, cercada por filho, netos e bisneta — quatro gerações unidas pela paixão ao motociclismo. “Ver essa estrutura, essa energia e estar junto da minha família… me enche os olhos e o coração”, contou emocionada.
Seu envolvimento com o mundo das motos começou nos anos 1960, quando conheceu o marido gaúcho que chegara pilotando uma lambreta à nova capital. Desde então, o motociclismo foi marcado em sua trajetória, assim como na formação da família.

Tradição em movimento
O filho de Maria Helena, Humphrey Lima, preside o Rotary Club de Brasília e faz parte de motoclubes como Blues Moto Clube e o IFMR‑SA, que participam do Moto Week desde 2012. O acampamento familiar reúne mais de 50 pessoas, com cozinha comunitária e estrutura completa. Ele expressou orgulho ao ver a mãe celebrando ali: “Foi ela que nos trouxe até aqui, por meio da sua linda história de amor e de vida, que começou com a lambreta do meu pai”.
Leia também: Cientista garante que já nasceu a pessoa que vai viver 150 anos. Será?
Para a neta Jessika, mãe da pequena Maya (quarta geração motociclista da família), a presença da avó no festival representa retribuição e continuidade: “Ela é nossa base… tudo começou com ela e meu avô. Estar aqui hoje é devolver em forma de amor tudo o que ela nos deu”.
Um espaço de pertencimento para a maturidade
A história de Maria Helena reforça a configuração do Moto Week como encontro inclusivo e intergeracional. O público 50+ não está apenas presente; é protagonista de histórias de amor, tradição e liberdade. E mesmo com cuidados de saúde, como a insuficiência cardíaca que Maria Helena enfrenta, ela confessa que, se estiver bem, pretende voltar em 2026: “Estar aqui é estar viva… esse é o maior presente que eu poderia ganhar na vida”.

O festival investe na diversidade etária desde a entrada – oferecendo meia-entrada a pessoas com 60 ou mais, estacionamento preferencial, banheiros adaptados e serviços como intérpretes de Libras e audiodescrição. Além disso, a programação da Vila do Bem trouxe cinema ao ar livre, saúde, cultura e capacitação social, destinadas também ao público sênior.
Celebra todas as idades
Não é apenas nostalgia ou hábito – o público 50+ mostra que paixão por rock e motociclismo resiste ao tempo. Com experiências pessoais marcantes, apoios e iniciativas que fazem do Moto Week um espaço de inclusão, a terceira idade se mostra atuante, vibrante e integrada à essência do festival.
Leia também: Viajar depois dos 60 fortalece a mente e contribui para a qualidade vida
Como declara Marcela Passamani, coordenadora do projeto Viver 60+: “Viver não tem idade”. E o Capital Moto Week, mais do que um festival, provou ser um palco vivo dessa verdade.
Leia também: Envelhecimento: um olhar amoroso para o futuro que já chegou





