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Tem mais de 50? Qual é a fantasia que você usaria neste carnaval?

Por Maya Santana

A atriz Elizabeth Taylor como Cleópatra, uma das   fantasias escolhidas

A atriz Elizabeth Taylor como Cleópatra, uma das fantasias escolhidas

Déa Januzzi –

Neste Carnaval, ela gostaria de abrir alas para um bloco de mulheres poderosas com 50emais anos de vida, que estão bem hoje mais do que aos 20, que estão mais ousadas do que aos 30 e não escondem nada, como aos 17. Ela, por exemplo, aos 63, gostaria de se fantasiar de Sherazade e de se transportar, – ou transcender – num tapete voador direto, sem escalas, para o país das Mil e uma Noites. Ela queria o poder da palavra para encantar um certo sultão, que mandava decapitar as suas noivas depois da noite de núpcias. Então, ela usaria o truque de Sherazade para encantá-lo com histórias sem fim. Gostaria de embriagá-lo com as palavras, deixá-lo boquiaberto, inebriado e convencido de só dar sentença final depois da última história. Queria deixá-lo tonto de vida, gostaria de entrar na sua alma com o encantamento das palavras. Que ele vivesse eternamente em função das histórias dessa mulher que soube conter a ira de um sultão.

Coberta pelos véus diáfanos de Sherazade, ela falaria para o mundo, neste Carnaval, que as mulheres modernas também estão desenvolvendo essa capacidade de sobrevivência, no meio de um território masculino. Usam artifícios para continuar vivas, para que não sejam decapitadas, violentadas, abusadas e marginalizadas.

Sem lança-perfume, confete ou serpentina, ela resolveu sair de Sherazade e fazer uma enquete entre as mulheres: – Qual a fantasia que você usaria neste Carnaval?

Bety Huebra, de 61 anos, não hesitou. Poderosa e perigosa, ela seria melindrosa, fantasiada com um pretinho sensual, com franjas esvoaçantes, piteira longa e boca carmim. Cinta liga com flor e cabelos a la Chanel são imprescindíveis. Uma fantasia assim certamente levará Bety para os anos 1920. Dançando foxtrote e bebendo champagne nos “saloons” de New Orleans. Sem medo do amor bandido, que com certeza seria um desses Al Capones da vida.

Beatriz Lima, de 51, surpreendeu com o desejo de cair na folia com a fantasia de viúva negra. Apesar de gostar mesmo, ser alucinada com a fantasia de odalisca. Mas confessa que com o espírito que paira hoje sobre esse País chamado Brasil, a viúva negra é mais apropriada. Ela pintaria o rosto com base e pó brancos e deixaria os olhos roxos, como a“A Noiva Cadáver”, do filme de Tim Burton, bem punk mesmo, para se vingar dos homens que desprezam as mulheres, que as tratam como pessoas de segunda categoria. A fantasia da viúva morta seria uma homenagem a todas as mulheres ofendidas, que não têm direito a opinião, a cargos de chefia, a salários justos. Nada de enfermeira, anjo, estudante. Se o País estivesse menos agressivo, ela estaria bem feliz de odalisca.

Kátia Virginia, de 59, queria ser Cleópatra, A Rainha do Egito, pelo poder que ela exerceu sobre os homens e sobre a própria vida. Kátia sabe que Cleópatra serve até hoje de inspiração e modelo de mulher forte, determinada e que revolucionou uma época, subvertendo o papel até então imposto às mulheres em uma sociedade na qual reinavam o silêncio e a submissão do feminino ao masculino. Sabe que Cleópatra vive até hoje no inconsciente das mulheres. Já virou nome de asteroide, de videogame, marca de cigarro, caça-níqueis, clube de strip-tease. É um mito e sinônimo de Elizabeth Taylor.

Outra mulher, de 65 anos, que não quis revelar o nome, pois está recolhida em atividades espirituais em meio à natureza, disse que sairia fantasiada de fantasma, para não ser vista por ninguém. Chamou a atenção para uma fantasia que, na realidade, já vestem as mulheres com mais de 60. Nessa idade, elas se tornam invisíveis para o mercado de trabalho e para o olhar masculino.

Maria Clara, de 55, tirou a sua fantasia preferida lá do império. Usaria espartilho, cabelos cacheados, luvas rendadas para ter o prazer de ser retirada para dançar num desses salões vienenses. Ao som das valsas de Strauss, ela veria um cavalheiro curvar-se, com delicadeza, diante da dama perfumada e elegantemente vestida. A fantasia de Maria Clara com o império tem razão de ser. Ela gostaria que os homens enxergassem as mulheres com outros olhos.

Surpresa, mas feliz com as respostas,Sherazade percebeu que, apesar de terem filhos, profissão, companheiros, mulheres de todas as idades ainda sonham com a essência do feminino.

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5 Comentários

Déa Januzzi 31 de janeiro de 2016 - 18:45

Desculpe, Lisa com “s” beijos.

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Déa Januzzi 31 de janeiro de 2016 - 18:44

Obrigada a Elza e Liza vocês são encantadoras de palavras. Beijos

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Elza Cataldo 31 de janeiro de 2016 - 16:38

Ótima escolha, Déa e Lisa! Sherazade é a nossa inspiração predileta.

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,lisa santana 31 de janeiro de 2016 - 14:40

Déa querida, depois de sorver a alegre leveza de seu texto pensei, pensei, pensei e descobri que te faria companhia. Tenho fascínio pela história da Sherazade das “Mil e uma noites”.

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Elza Cataldo 31 de janeiro de 2016 - 08:43

Adorei, Déa, me fantasiar junto com essas mulheres, sem deixar de sonhar com a essência do feminino. Sempre.

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