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Quando os mais velhos é que cometem um erro terrível

Por Maya Santana

Muitos londrinos, principalmente os mais jovens, não acreditaram no resultado do referendum

Muitos londrinos, principalmente os mais jovens, não acreditaram no resultado do referendo

Maya Santana

Como boa parte do mundo, não acreditei quando liguei o meu computador bem cedo, na sexta-feira, 24 de junho, e me deparei com a notícia que a população do Reino Unido – Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – havia votado em favor da saída da União Européia. Como assim? Me perguntei, em choque. Levei um longo tempo até absorver a notícia.

Tenho uma relação mais do que especial com a Grã-Bretanha, onde morei e trabalhei durante mais de 16 anos. Mesmo sabendo da oposição de muitos britânicos ao bloco europeu, como testemunhei na época em que vivia lá, jamais imaginei que ousariam abandonar o rico e poderoso parceiro europeu pela aventura de seguir sozinhos.

Edna Crepaldi, jornalista brasileira que mora há décadas na Inglaterra

Edna Crepaldi,brasileira: “Fiquei e estou tristíssima”

Um dos pontos que me impressionaram nessa decisão de deixar a Europa foi o fato de os britânicos com mais de 50 anos terem votado maciçamente para que o país pulasse fora do barco europeu. Enquanto os mais jovens votaram exatamente da maneira inversa. E o resultado da votação continua reverberando. Neste sábado, uma semana depois do referendo que abalou o mundo, centenas de milhares de pessoas participaram em Londres de uma Marcha pela Europa – um protesto contra o que chamaram de “suicídio político,social e financeiro”, referindo-se ao final preocupante da parceria com a UE.

Fiquei curiosa para saber a opinião da minha amiga Edna Crepaldi, jornalista brasileira, perfeitamente adaptada ao way of life dos britânicos, pois mora na Grã-Bretanha há mais de 30 anos. Uma imigrante que escolheu o país para viver porque ama a vida lá. Qual foi a reação dela a essa separação da Europa? Leia:

“O que dizer sobre esse desatino britânico? Eu, morando no interior e observadora atenta, já esperava o desfecho. No entanto, não queria acreditar que uma população tão grande de velhos pudesse ser tão cruel com as novas gerações, cortando-lhes as oportunidades futuras de casa própria, trânsito livre pela Europa, trabalho e tantos outros.

Então, ao ligar a TV na manhã de sexta-feira passada, não contive as lágrimas de tristeza, de frustração, de desconforto e perplexidade. Senti-me traída por este país que tanto amo. O pior é que pairava no ar, por todo lado, uma quietude artificial, um silêncio, uma desconfiança, como se o país acordasse ressacado após uma noite de esbórnia. Fiquei e estou tristíssima.

© Licensed to London News Pictures. 24/06/2016. London, UK. Prime Minister DAVID CAMERON announces the EU referendum results in Downing Street, London on Friday, 24 June 2016. The UK has voted by a narrow margin to leave the European Union. Photo credit: Tolga Akmen/LNP

Um constrangido primeiro-ministro, David Cameron, anuncia o resultado do histórico referendo

Tempos mais que turbulentos, com a sombra do fascismo pairando sobre nós. O partido trabalhista na maior confusão, fraccionado, a Escócia que ameaça outra votacão para sair do Reino Unido (e agora eu acho que eles tem razão), um perigosissimo Nigel Farage (candidato do Partido de Independência do Reino Unido ao cargo de primeiro-ministro) usando de charisma Hitleriano para angariar adptos em todas as classes, que lhe aumenta a olhos vistos, o poder. Esta não é, definitivamente, a Inglaterra que eu conheci e aprendi a amar. E não sei se poderá se recuperar. Não sei mesmo.”

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