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Quem cuidará do meu dinheiro quando eu for velha?

Por Maya Santana

Sou obrigada a tratar de um assunto que ninguém quer encarar

Sou obrigada a tratar de um assunto que ninguém quer encarar

Déa Januzzi

Hoje, eu quero fazer algumas perguntas incômodas para quem está envelhecendo. Você, por exemplo, já pensou em quem vai cuidar de você quando tiver 80 anos. Quem vai receber a sua aposentadoria, quando você não puder mais ir ao banco? Eu também confesso que não pensei. Nem mesmo planejei a minha aposentadoria. Não tracei um Plano B.

Mas sou obrigada a tratar de um assunto que ninguém quer encarar, porque sei de alguns casos que arrepiam os fios da alma de qualquer um. Conheço uma senhora de mais de 100 anos, lúcida, mas que não quer mais sair de casa depois que levou um tombo na rua. Ativa, mas não para enfrentar filas de banco ou fazer transações financeiras pela internet. Afinal, a tecnologia não é do interesse de senhoras do seu tempo.

Professora, ela tinha um lindo apartamento na Região Centro-Sul de uma grande metrópole, com quatro quartos, jardineiras nas janelas. Localizado no andar térreo, o apartamento era amplo, confortável, digno para quem trabalhou muito e recebeu uma aposentadoria digna, além da pensão deixada pelo marido. Lá, ela vivia bem, até que um dos netos usou o seu cartão de crédito à vontade. O prejuízo foi tanto que ela teve de vender o apartamento para pagar as dívidas.

Hoje, ela vive com a pensão, mas tem de pagar R$ 4 mil de aluguel mais condomínio mais IPTU. Você sabe que a cada 10 minutos se comete uma violência contra os idosos no Brasil? E que os agressores estão dentro da própria família? Não estou falando de violência física apenas, mas a financeira, que inclui empréstimos e mais empréstimos para filhos e netos? Extorsões milionárias, como a de outra idosa que foi obrigada a pedir um empréstimo de R$ 150 mil para um dos filhos. O filme O Maravilhoso Hotel Marigold trata do tema com maestria. A mãe viaja à Índia para fugir dos filhos que vendem a casa depois que o pai morre.

Exemplos não faltam. Outro dia, fui visitar a velha senhora que hoje mora com uma neta, mas se ela precisasse de R$ 10,00 não teria, porque o cartão do banco e o dinheiro dela é administrado por outra filha que mora bem longe dali. Se acontecer algo, a filha tem que atravessar a cidade para chegar até o apartamento dela. Será que vai dar tempo da filha chegar a tempo, em caso de uma necessidade mais grave?

Ela fica com o mínimo para que os netos não cometam mais atentados contra a velha senhora, que também perdeu as ilusões com o passar da idade. Não se sente mais à vontade fora de casa. Não gosta mais de sair, mas continua lendo muito, porque a visão está perfeita. Fora isso, ela reza e pede pelos filhos que partiram antes dela, agora é só esperar a sua hora. Para ela, a velhice parece uma longa doença, que vai tirando o sabor, a leveza, o prazer.

Você acha que ela reclama dos inúmeros desfalques, dos prejuízos? Não, ela é de uma geração mais sábia, menos impaciente, que considera a família como um altar, onde cada filho, cada neto e bisneto é uma oração. Um tesouro que não se pode tocar.

Mas volto a insistir: E você, já pensou nesse assunto incômodo? Os especialistas insistem na tese de que é fundamental planejar a velhice para, no futuro, ter respostas para questões que hoje são incomodam: Quem vai tomar conta de você? Onde vai morar, quando tiver mais de 80 anos? Quem vai cuidar do seu dinheiro, quando você não puder mais ir ao banco?

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18 Comentários

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Raquel Silveira 4 de setembro de 2019 - 02:10

Meninas temos que pensar que nem todos os idosos são tão infelizes como a maioria dos comentários . Vamos ser otimistas e esperar uma velhice com saúde e se não temos parentes teremos amigos , quem não os tem ? Eu graças a Deus tenho 81 anos tenho saúde , moro sozinho viúva a 30 anos conservei comigo uma secretaria que cuida da casa e de mim . Tenho um casal de filhos maravilhosos mas até agora quem governa minha vida sou eu , viajo sou voluntária de 2 asilos , claro não tenho a disposição que tinha a anos atrás mas vamos ser mais positivas . Só publicam matérias de pessimistas que não trazem alegria e satisfação em ser idosa e ser feliz e viver a vida plena na sua idade . Um abraço a todas e vamos ser otimistas nos anos que ainda nos esperam !!

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Lúcia Soares 11 de abril de 2016 - 23:50

Déa, há muitos casos como o dessa senhora, de familiares e até amigos, que exploram os mais velhos, que não sabem ou não podem mais cuidar do seu dinheiro. No meu caso, se meu marido se for antes de mim, creio que os filhos são bem preparados para me cuidar, ou ao pai. Eles têm o meu exemplo, o que também não conta muito, em vários casos, mas neles posso confiar: cuidei, junto dos meus irmãos, de minha mãe, por alguns anos, mesmo quando ainda era lúcida, mas não queria mais sair para compras nem nada. Muitas vezes o exemplo dá certo e eles têm consciência de que saberão nos cuidar. Felizmente não precisaremos deles financeiramente, o que também facilita muito.
Beijo.

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Evelise Pinto 18 de agosto de 2015 - 15:03

Hoje, com 59 anos, já tenho grande dificuldade de locomoção.
Não posso dirigir porque minhas mãos foram afetadas por radiculopatia de três hérnias de discos cervicais, num total de oito hérnias na coluna toda e fibromialgia.
A cada dia minha mobilidade piora. Além de sofrer dores absurdas continuamente
Meu marido tem doença mental degenerativa e vive em internação domiciliar.
Meus dois filhos, em circunstâncias diferentes agiram de forma imprópria.
O mais velho e a mulher furtaram minha loja e minha casa deixando para trás destruição e dívidas tremendas.
O caçula e a mulher tentaram matar-me por um seguro de vida.
Minha sorte é que tenho vizinhos de bem.

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Mirian 19 de maio de 2015 - 15:46

É isto mesmo.
Eu e minha irmã cuidamos de meus pais até o fim de suas vidas.
Eu e ela somos viúvas, temos duas filhas cada uma e todas são casadas.
Hoje eu tenho certeza que minhas filhas cuidarão de mim, mas não deixa de ser uma preocupação. Por isso, construi minha independencia financeira e sempre falo que gostaria de morar numa casa de repouso bem conceituada, mas será que isto acontecerá? Acho que vou deixar um documento para que se cumpra esta desejo. Será que existe isto?
Vamos pedir a Deus muita saúde, para nós pobres “velhinhos”, ah, já estou com 66 anos e trabalho até hj.
Beijos

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Márcio 14 de abril de 2015 - 19:36

Muito boa matéria.
Aborda uma realidade vil, mas comum.

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João luziano 14 de abril de 2015 - 16:21

Rita de Cássia, acho que você fez sua parte, como mãe, tenho certeza que cuidou muito bem de seus filhos. A vida deve ser uma troca. Cuidamos de nossos filhos e eles deveriam cuidar de nós em nossa velhice, mas nem sempre isso acontece. Vc diz: “não é justo com eles” será? Nós viemos nesse mundo para servir o semelhante. Nada mais justo que os filhos cuidem dos pais. Mas, isso é muito complicado eu sei. Eu, por exemplo, cuido de minha cunhada de 73 anos, viúva há 4 anos, que foi casada com meu irmão. Não tiveram filhos. Cuido da parte financeira, programo suas viagens, cuido da parte médica, enfim faço tudo pra que ela esteja bem. Participa de todas as atividades da nossa família. Procuro, na medida do possível, fazê-la que seja independente, mas não é tão fácil assim. Enfim, faço isso porque sei que amanhã farão por mim, pois quem semeia boas sementes deve colher bons frutos. É um tema que realmente no leva a refletir e pensar muito. Como será nosso futuro? A velhice de cada um é uma incógnita, uma incerteza. Devemos sim, pensar, dentro do possível nos programar para que tenhamos uma velhice que cada um merece, ou seja a melhor possível. Hoje tenho 65 anos, e tb penso muito como será? Peço sempre a Deus que me prepare uma velhice tranqüila.
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Rita de Cássia Pereira Franco 13 de abril de 2015 - 16:37

Vou completar 62 anos e sempre me preocupei com a velhice. Não tenho medo de envelhecer mas me pergunto: como meus filhos irão reagir quando não tiver condições físicas de me virar. Já comentei com eles que, se ficar viúva e necessitando de cuidados, que me coloquem numa casa de repouso. Inclusive que farei uma declaração com um profissional, com testemunhas, para que prevaleça minha vontade. Meu filho insiste não aceitar a situação; e que ele e minha nora cuidarão de mim e da sogra dele…..sinto feliz de ter ouvido isso de meu filho, mas não e o que quero….. E não e justo para com eles….

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Cristina Padilha 13 de abril de 2016 - 23:31

Excelente forma de pensar. Os filhos bons tem a tendência de ajudar, mas nós, mães, queremos eles livres para viver tanto quanto nós vivemos.

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Liz barros 13 de abril de 2015 - 14:28

Boa tarde, pensei nisto ainda esta semana ou melhor venho pensando e muito, hoje tenho meu marido bem lucido e saudável com 72 anos e um casal de filhos tenho todo apoio mas ja venho preocupada. Tem alguma ideia a me fornecer? Um abraço e muita paz.

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ELISABETH LEITE 13 de abril de 2015 - 13:10

Tocou realmente num ponto nevrálgico do envelhecimento. Eu tenho a dizer que quando nasci não fiz planos e agora que estou envelhecendo também não os tenho. Sei que o abandono na terceira idade é muito grande… não vou negar, tenho medo, não da velhice mas das consequências que ela traz: maior dependência física, emocional e muitas vezes financeira de terceiros que nem sempre querem esse “fardo”. Assim como eu não podia prever o que a vida me reservava na época em que nasci ainda não posso prever agora que estou envelhecendo. Fala-se em planejamento… isso para quem tem condições de planejar, quem vive com dinheiro contado não planeja nada, vende o almoço para comer o jantar… e ainda tem o fato de que a vida é uma caixinha de surpresas. Peço a Deus Força,Sabedoria e Humildade pra levar minha “velhice” até onde ele permitir.

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Vera Dias 13 de abril de 2015 - 00:36

……….

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WALDELIA VAZ SILVEIRA 12 de abril de 2015 - 21:03

É. ESTOU COM UM IRMÃO, EM CASA, QUE A FILHA E O GENRO ROUBARAM TUDO QUE ELE AMEALHOU DURANTE TODA VIDA.E HOJE MUITO DOENTE VIVE A MINHAS EXPENSAS, JÁ QUE SUA APOSENTADORIA, SEUQER DAR PARA OS MEDICAMENTOS. MUITO TRISTE

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Norma Marques 12 de abril de 2015 - 14:57

Venho pensando sim e gstaria de receber mais artigos seus. Vc e otima!

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Norma Marques 12 de abril de 2015 - 14:49

Voce escreve muito bem pois, toca direto na ferida social. Eu sempre quis ficar bem velhinha, igual a minha avo que morreu com 104 anos, lucida e cuidando de si mesma, em todos os aspectos. Mas, hj, tendo que cuidar de uma irma que e sozinha nesse mundo, sentindo como a vida dela ficou tao sem sentido, cujo dinheiro que recebe como aposentada e mais um beneficio q recebe do papai, por ser solteira, perdeu completamente o significado para ela que literalmente e obrigada a ficar comigo que, muitas vezes sou intolerante, sem paciencia e faco td sem a minima vontade pq tb sou depressiva, venho me questionando sobre isso sim. Ando meio em duvidas se vale a pena viver e nao “viver”. E te digo mais….a vida e madreasta ma!

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Déa Januzzi 12 de abril de 2015 - 11:53

Genoveva, estamos quites. Também tenho 62 anos e me deixei o trabalho formal também no fim de 2012, mas eu já estava aposentada há 8 anos, com um salário bem pequeno. Mas você soube dar um sentido à sua vida. Parabéns. Déa

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Genoveva 12 de abril de 2015 - 11:33

Pois é Déa venho cuidando de mim mesma já faz muito tempo…e mesmo quando passei por situações até mesmo trágicas (diferente de viver problemas) em minha vida. Venho de familia,que em minha infancia/adolescencia, vivenciava carencia em todos os sentidos: materiais, sociais, afetivos…sendo a mais velha sempre tive que ser uma especie de assessora familiar, devido a imaturidade e dificuldades psiquicas de meus pais. Quanto ao relatado já passei por isso tambem antes do envelhecimento e não tenho filhos, mas apesar de familia numerosa, sei que minha historia não irá trazer mudanças nesse sentido e estou articulando com orientação de profissional nesses assuntos, o registro de documento em cartorio, para que amigas de minha intimidade e que me conhecem melhor que meus familiares, possam tomar decisões que propiciem minha proteção e até no sentido de procedimentos medicos que prolonguem minha vida sem qualidade real.
Mas fellizmente a profissão que escolhi tambem tem carater de cuidadora e assim mais uma vez ajudou meu amadurecimento nesse sentido. A propósito estou com 62 anos e aposentada desde o final de 2012, mas trabalhando como voluntaria com idosos e pessoas com doenças graves ou cronicas, o que sempre fiz profissionalmente.
Espero que meu relato encontre identificação com outras pessoas que leem suas cronicas, com as quais me identifico desde os tempos do Estado de MInas e já falei sobre isso com voce aqui nesse Blog.
Com Afeto,
Genoveva

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Elizabeth Salgado 13 de abril de 2016 - 19:09

Assunto mais que necessário para ser discutido analisado e encaminhado. Tenho 64 anos e já estou organizando algumas destas questões, e, confesso, a financeira é a que mais causa desconforto e a questão saúde muitas vezes é usada como desculpa para desajustes , mas é possível sim viver com qualidade e curtir a vida, ainda e apesar dos comentários em contrário. É preciso falar sim sobre esses assuntos para”viver e não ter a vergonha de ser feliz”!

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Angela Maria Lopes 12 de abril de 2015 - 10:27

Eu tenho 61 anos e já penso nisso sim, eu tenho dois filhos , mas sei que quem vai me ajudar na velhice é minha filha, que confio piamente.

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