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Quem disse que astronauta dorme melhor que nós?

Por Maya Santana

Como mulher consome mais, é na direção dela que a avalanche de ofertas vem com mais força

Como mulher consome mais, é na direção dela que a avalanche de ofertas vem com mais força

Leila Ferreira

Escova progressiva, marroquina, de chocolate, light: nunca pudemos escolher tanto. Mas nem por isso somos mais felizes. O excesso de possibilidades nos confunde, nos deixa ansiosas. Nessa hora, nada melhor do que reduzir. Menos expectativas, menos exigências, menos escolhas. E muito mais paz de espírito

Às vezes elas são até bem-intencionadas, ditas sem o menor intuito de desagradar ou ofender. Às vezes. Outras vezes, vêm carregadas de segundas e terceiras intenções. O fato é que certas frases nos tiram do sério. Ficamos sem saber como reagir. Dar uma resposta atravessada? E se não houve ali nenhuma má intenção? Não reagir? Fazer cara de paisagem (ou de lâmpada, como diz uma amiga minha) e ir embora engasgada, imaginando dez respostas que deveria ter dado, mas que só vieram à mente cinco minutos depois?

O caso aconteceu com o marido de uma amiga minha. Enquanto a mulher esperava no carro (por força das circunstâncias), Breno entrou numa farmácia apressado e pediu à vendedora uma caixa de o.b. ‘De que tipo?’, ela perguntou. Diante do ar perplexo do engenheiro, refez a pergunta: ‘Você quer máxi, médio ou míni?’. Já recuperado e com a cara mais séria do mundo, Breno respondeu: ‘Não sei. É a primeira vez que eu vou usar. O que você sugere?’.

A história ilustra o que tem sido o cotidiano das mulheres numa sociedade que não pára de multiplicar as possibilidades de consumo. O que o engenheiro viu foi só a ponta do iceberg. Absorventes com ou sem abas, para fluxo intenso ou regular, com cobertura suave ou seca, para o dia ou para a noite, para a mulher madura ou para a adolescente. Calças jeans, de alfaiataria, de cintura baixa ou alta, de bocas retas ou skinny. Esses são apenas alguns exemplos do repertório que acompanha cada compra que fazemos. Nós e eles, é verdade -mas, como as mulheres consomem mais, é na nossa direção que a avalanche de ofertas vem com mais força. E aí a gente é obrigada a escolher e fica atordoada.

A escova progressiva, por exemplo. Antes, a gente pedia ao cabeleireiro para fazer uma progressiva -ponto final. Hoje existem a marroquina, a de chocolate, a suave (ou light), para ficar só no começo da lista. Os tratamentos para celulite também se multiplicaram. Antigamente nossas coxas se contentavam com uma massagem e um creme de parafina. Agora experimente entrar numa clínica e perguntar: você vai precisar de uma semana para se decidir. Clique aqui para ler mais.

Esta crônica da jornalista e escritora Leila Ferreira foi publicada na revista Marie Claire com o título “Menos, por favor.”

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