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Quem foi o Marquês de Sapucaí, o do sambódromo?

Por Maya Santana

Cândido José de Araújo Viana (1793-1875)

Cândido José de Araújo Viana (1793-1875)

Gustavo Werneck, Estado de Minas

A vida deste homem dá um samba-enredo, com todos os ingredientes necessários para levantar a arquibancada, jogar os holofotes sobre o período imperial e mostrar que Minas Gerais e Rio de Janeiro sempre fizeram excelentes parcerias. Natural de Congonhas de Sabará, nome primitivo de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Cândido José de Araújo Viana (1793-1875) entrou para as páginas do Brasil – e para a maior farra nacional, o Carnaval – como Marquês de Sapuchy ou Sapucaí. No primeiro caso, fez história como deputado, senador, desembargador, ministro das Finanças e da Justiça e ocupante de outros cargos importantes nos tempos de dom Pedro I (1798-1834), Regência e dom Pedro II (1835-1891); já no segundo momento, a folia, seu nome batizou a avenida da capital fluminense onde, no início da década de 1980, foi construído o Sambódromo, palco do maior show da terra.

O primeiro verso de um grande samba para homenagear o Marquês de Sapucahy, que antes foi visconde, poderia começar pelo seu nome. Batizado Cândido José de Araújo Viana, ele decidiu mudar o registro aos 13 anos, passando a se chamar Cândido José de Araújo Viana. “A família era mais conhecida por Araújo Viana, daí a sua decisão, com a licença do pai”, diz o historiador mineiro Walter Gonçalves Taveira, autor, junto com Bráulio Carsalade Villela, do livro Marquês de Sapucahy, O executivo do Império, lançado no ano passado. Para Taveira, trata-se de um grande brasileiro, de expressão política e idoneidade moral, que também foi presidente das províncias de Alagoas e Maranhão, preceptor dos filhos dos imperadores e poliglota.

Nascido numa família numerosa e com dois irmãos médicos, o jovem Cândido, aos 21 anos, foi nomeado pelo príncipe regente Dom João VI (1767-1826) para o cargo de ajudante de ordenança do Termo de Sabará. Dois anos depois, seguiu para fazer os estudos jurídicos na Universidade de Coimbra, em Portugal; voltou bacharel em direito e pronto para receber nova incumbência em Sabará: ser promotor de Capelas e Resíduos. Na sequência, e cada vez mais solicitado pela competência, Cândido foi juiz em Mariana até que, em 1823, se elegeu deputado por Minas para a Assembleia Constituinte do Império.

O sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro

O sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro

A partir daí, foi uma sucessão de cargos de relevância, diz Taveira. Cândido assumiu a direção do Diário da Assembleia, no Rio; retornou a Mariana, para ocupar novamente o cargo de juiz; foi nomeado desembargador de Relação em Pernambuco, sendo transferido em 1832 para a Bahia; reelegeu-se três vezes deputado; e chegou ao senado como vitalício. O escritor não poupa elogios ao conterrâneo que ganhou um busto na Praça Bernardino de Lima, em frente ao Teatro Municipal e à Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Nova Lima, e destaque no Centro de Memória local (Rua Tiradentes, nº 78), vinculado à Secretaria Municipal de Cultura.

No Centro de Memória, há fotos do marquês com sua longa barba, do sobrado do Bairro Bonfim, no qual a família Araújo Viana viveu e já demolido, de documentos manuscritos emoldurados e de uma placa de madeira, datada de 1917, encontrada há três anos num quintal da cidade. Nela, está escrito de acordo com a grafia da época: “Nesta casa nasceo a 15 de setembro de 1793 Candido José Araujo Viana, visconde depois marquez de Sapucahy, fallecido a 23 de janeiro de 1875, na cidade do Rio de Janeiro, onde se acha sepultado em carneiro perpétuo no Cemiterio de Catumby da mesma cidade – 1917”

REFORMA Impossível não ficar impressionado com a multiplicidade de funções desempenhadas pelo Marquês de Sapucahy. De acordo com o livro Nova Lima, ontem e hoje, de 2013, o mineiro ilustre “foi nomeado, em 1839, professor de literatura e ciências positivas de Dom Pedro II e suas irmãs e, mais tarde, para mestre das princesas suas filhas”. E mais: “Sua participação na vida política melhorou a instrução pública e o aprimoramento da direção científica do Museu Nacional (…) Era profundo latinista, versado em grego, hebraico e várias línguas europeias”.

O escritor Walter Taveira lembra que os feitos do marquês são infinitos, de grande influência no Império, em especial na economia, no período em que foi ministro das finanças, entre 1831 e 1834. No período da Regência, empreendeu uma grande reforma, propiciando a estabilização financeiras. O dedo do marquês esteve presente na decisão que permitiu a entrada no capital estrangeiro na mineração, reforma do correio e instituição do Selo Nacional.

Taveira explica que a ideia de escrever o livro partiu das poucas informações existentes sobre o Marquês de Sapucahy. “É fundamental lembrar que ele também foi poeta”. Com esse dado, vai um aviso aos sambistas e carnavalescos: está passando da hora de o mineiro ser homenageado pelas escolas do primeiro grupo do Rio. “Sem dúvida, esta história dá samba”, brinca o escritor. Enquanto isso não ocorre, vale lembrar a lembra do samba-enredo do G.R.E.S Estácio de Sá, em 1987: “Que tititi é esse que vem da Sapucaí, tá que tá danado, tá cheirando a sapoti…”

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2 Comentários

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Cleimir A. Lousada 8 de fevereiro de 2016 - 17:21

Quantos homens grandiosos já passaram pela nossa história e não são lembrados. Torço pela Beija Flor que através do samba trás ao conhecimento dos brasileiros a figura de tão grande homem – o Marquês de Sapucaí, que teve tão grande participação na história de nosso país como professor e regente de Dom Pedro II, suas irmãs e posteriormente filhas. Que nossos políticos atuais possam ver o desfile e, que isso desperte neles assim como despertou em mim o interesse por conhecer mais a respeito de tão grande vulto de nossa história e assim seguir o seu exemplo.

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luiz messias e silva 8 de fevereiro de 2016 - 01:13

O marques de sapucay, foi um homem ilustre de grande brio, pessoas assim. É que deveria reger nosso pais.

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