
Miriam Moura
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Em plena temporada de festividades de final de ano, confraternizações com amigos queridos, risadas, alguns excessos gastronômicos e etílicos, comecei a refletir sobre o quê (e como) seria, exatamente, uma festa de Natal bem brasileiro. Quais costumes são verdadeiramente originários da nossa cultura e quais pegamos emprestados de outros povos além-mar?
Uma das minhas leituras atuais é “Cultura”, livro do filósofo e pensador inglês Terry Eagleton, que pretende fazer um “sobrevoo da história do conceito de cultura”, traz ricos insights e abordagens diversas sobre o tema. Identifiquei que há vários sentidos para a palavra, que o autor considera talvez uma das mais complexas da língua inglesa.

Eagleton diz que cultura tem quatro sentidos principais. Pode significar: 1) o conjunto de uma obra artística ou intelectual; 2) um processo de desenvolvimento espiritual ou intelectual; 3) os valores, costumes, crenças e práticas simbólicas que pautam a vida de pessoas; 4) todo um modo de vida.
Percebi que sempre relacionei o termo cultura ao terceiro e ao quarto sentido, ao modo de viver de uma sociedade, de um determinado povo. E ainda o sentido de cultura com os âmbitos de uso na sociologia e na história, segundo o dicionário Houaiss: “forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais, espirituais (de um lugar ou período específico); civilização.
Fiquei pensando e refletindo sobre isso em razão do que ocorreu em um jantar recente de confraternização de final de ano com amigos. Resolvemos que, além da clássica brincadeira de “amigo oculto”, teríamos também um “inimigo oculto”. A orientação era para comprar dois presentes: um para o amigo e outro para o “inimigo”, a serem sorteados durante o encontro.
Houve reações, estranhamentos, certo desconforto: “Como assim? Não entendo isso de comprar presente para inimigo oculto”, eram as perguntas e manifestações no grupo do WhatsApp. No final, a brincadeira revelou-se divertida, todos gostaram da novidade, a noite transcorreu alegremente com muitas e boas gargalhadas. Acho que nas próximas festas de final de ano passaremos a incorporar o hábito e escolher lembranças criativas, seja para amizades ou “inimizades” natalinas.

Em relação aos costumes e maneiras de celebrar o Natal, o fato é que seguimos hábitos importados de outros povos, como os da Lapônia, “terra do Papai Noel”. É uma região ao norte da Finlândia, próxima ao Círculo Polar Ártico, famosa por suas paisagens cobertas de neve e pelo céu de inverno iluminado pela Aurora Boreal.
O clima e mesmo a cultura dos lapões são completamente distintos do nosso Brasil tropical, das nossas matas atlânticas, do sol forte durante o ano inteiro. Mas é comum vermos nas árvores de Natal enfeites de algodão simulando neve num país de calor extremo.
As comidas também reproduzem culinárias de outros idiomas, acredito que ainda temos muito a percorrer para que nossa mesa seja recheada de produtos e iguarias autóctones, fruto da terra. Um bom começo talvez fosse a leitura de livros como o da chef Bel Coelho, lançado durante a COP30, em Belém – “Floresta na boca: Amazônia – pessoas, floresta e alimentos. Ainda não li, mas já está na minha lista. Quero conhecer mais sobre ingredientes como a mandioca, a castanha-do-brasil, o açaí e o cacau. Quero aprender muito mais sobre os frutos da terra e nossa brasilidade.
Feliz Natal e um 2026 iluminado para todos!

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