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Renata Sorrah, 66 anos: na vida, sem ensaio

Por Maya Santana

Aos 66 anos, completados em fevereiro,

Aos 66 anos, ela está no palco com “Esta Criança”

Renata Sorrah está no palco de um teatro vazio agindo de um modo incomum.  Repete a ladainha “Ruim, péssimo, pior, ruim, péssimo, pior”, mostra a língua,  faz caretas e sons ininteligíveis. E ainda por cima ri. Sim, respeitável  público, ela ri. “É uma alegria. Teatro é tudo de que eu gosto”, diz a atriz,  que, aos 66 anos, aquece voz e corpo com o entusiasmo de uma iniciante.

Em meia hora Renata e outros três atores estarão em cena com “Esta Criança”,  do dramaturgo francês Joël Pommerat. A peça tem dez cenas curtas que falam da  relação entre pais e filhos. O espetáculo – resultado da união de Renata com a  Cia Brasileira de Teatro – foi o grande vencedor do Prêmio Shell 2012, com  quatro troféus, entre eles de atriz, para Renata, e de direção, para Marcio  Abreu, única pessoa na plateia ainda vazia.

Nos intervalos entre um exercício e outro, o elenco põe a conversa em dia:  “Sou ridículo”, desabafa Ranieri Gonzales na ponta dos pés e com os braços para  o alto, arrependido de ter comprado um monte de roupa “espalhafatosa”. “Se você  é ridículo, sou lambisgoia”, brinca Renata, soltando os braços e todo o corpo  para baixo.

Aos poucos os atores finalizam o aquecimento e saem do palco. Fica  Renata, que se encolhe num canto do cenário azul e, baixinho, repassa o texto de  sua primeira cena, em que faz uma jovem grávida disposta a provar à mãe que será  irrepreensível no novo papel. “Minha mãe vai morrer de inveja de ver meu filho  feliz (…) Meu filho vai ter orgulho de ser meu filho (…)” Finda na boca do  palco, contempla a plateia vazia e vai para o camarim terminar de se arrumar. Em  meio a burburinhos, o público começa a entrar no teatro do Sesc Vila Mariana, em  São Paulo. Na coxia, silêncio. Toca o terceiro sinal. Blecaute.  Leia mais em valor.com.br

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