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Reposição hormonal : uma decisão que deve ser muito bem pensada

Por Maya Santana

Climatério é a fase da vida da mulher em que ela não mais menstrua

Climatério é a fase da vida da mulher em que ela não mais menstrua

*Dr. Márcio de Sá –

A grande maioria das mulheres tem, por volta dos 45 anos, a sua última menstruação. Esse último ato do sangramento uterino normal, até então mensal, ocorre, lembremos, por que houve uma ovulação em um dos ovários – normalmente, também mensal – e o útero preparou-se para receber o óvulo fecundado por um espermatozóide. Não ocorrendo a fecundação, o útero perde o seu revestimento superficial interno nutritivo, preparatório à implantação do ovo (o óvulo fertilizado pelo espermatozóide). Isto se dá por meio da perda sanguínea vaginal, a menstruação.

A fase que se inicia é chamada então de pós-menopausa ou, mais corretamente, de climatério. Climatério é a fase da vida da mulher em que ela não mais menstrua, o que acarreta uma grande e importante mudança hormonal global. É mais correto, assim, dizer que uma mulher que não mais menstrua está no climatério ou na pós-menopausa, e não na menopausa.

No climatério, ao deixarem de ovular, e por causa disso, os ovários deixam de produzir importantes hormônios. Outra significativa mudança hormonal diz respeito à interrupção, por uma glândula localizada no cérebro, da produção de outros hormônios que induzem à ovulação e à preparação do útero. A interrupção abrupta da produção desses hormônios é a responsável pela grande maioria dos sintomas, quase sempre muito desagradáveis, que afeta grande parte das mulheres na pós-menopausa.

Sintomas desagradáveis

Esses sintomas vão desde a perda ou baixa importantes da libido, uma grande irritabilidade, uma eventual angústia crônica, “um estopim curto”, como se diz popularmente, até as alterações importantes da pele e das mucosas, que se tornam secas – o que, na mucosa vaginal, é uma importante causa de desconforto e dor durante a relação sexual, dificultando ainda mais a vida dessas mulheres. Os muito frequentes sintomas físicos da alternância de sensações de calor e frio, os fogachos, completam, muito negativamente, o quadro.

A substituição artificial desses hormônios não mais produzidos pelo corpo humano feminino por medicamentos contendo preparações de hormônios sintéticos é o que se chama substituição hormonal na pós-menopausa. Esta substituição pode ser feita através da tomada diária de comprimidos, de implantes internos de longa duração (em geral no antebraço) ou de adesivos (patchs) colados continuamente à pele.

A reposição hormonal na pós-menopausa ou climatério produz em geral, para a maior parte das mulheres, excelentes resultados com ampla diminuição ou desaparecimento da grande maioria dos inúmeros sintomas. Entretanto, o uso de hormônios sintéticos em longo prazo, e mesmo em curto prazo, está relacionado com efeitos colaterais, o mais sério deles sendo a ocorrência, que é muito mais freqüente do que se pensa, de problemas de tromboembolismo.

Coágulo de sangue

Tromboembolismo é um fenômeno grave em que um trombo (um coágulo de sangue) é formado, em geral em uma veia da perna, de onde se desprende e percorre o corpo humano, podendo ir localizar-se, finalmente, nos pulmões – tromboembolismo pulmonar – ou no cérebro – tromboembolismo cerebral, ou em outros locais.

Cláudia P. é uma mulher de 62 anos, no climatério desde os 54 e que trata o que são para ela sintomas extremamente desagradáveis com substituição hormonal. Ela utiliza, desde então, os hormônios sintéticos alternando períodos com tratamento e sem tratamento.

Em abril de 2014, época em que ela tomava os comprimidos hormonais, durante uma semana de férias numa pequena e afastada cidade da serra carioca, sem acesso possível imediato a serviços médicos hospitalares, ela é acometida abruptamente por uma séria convulsão generalizada, que aterroriza os seus familiares e amigos.

Ela tem de ser conduzida com urgência ao hospital mais próximo, localizado a cerca de 50 quilômetros de distância. Ao chegar lá e antes de haver tempo para que ela seja devidamente medicada, ela sofre uma nova e mais longa convulsão generalizada. Após a medicação indicada, ela é submetida a uma tomografia cerebral que constata uma tromboembolia cerebral, a qual, felizmente, não deixou seqüelas neurológicas de monta, a não ser um leve esquecimento, que desapareceu com o tempo.

Alerta nos Estados Unidos

Cláudia teve que ser transferida rapidamente para um grande hospital no Rio de Janeiro onde, poucos dias depois, foi diagnosticada uma grave alergia medicamentosa ao anticonvulsivante corretamente prescrito no primeiro hospital. O anticonvulsivante foi devidamente substituído…, mas uma rápida e gravíssima doença alérgica aguda ao primeiro anticonvulsivante instalou-se rapidamente e por completo. O seu risco de morte foi real e um acompanhamento neurológico em longo prazo está sendo necessário.

Nos Estados Unidos, os canais de televisão alertam, todo o tempo, em comerciais que se repetem, sobre os sérios riscos da substituição hormonal nas mulheres na pós-menopausa. Pouco, ou nada, se ouve falar no Brasil sobre esses riscos, além do fato de persistir uma grande polêmica, na área médica específica, sobre o uso ou não da reposição hormonal.

É extremamente importante que os benefícios e os riscos do uso de uma substituição hormonal sejam avaliados em conjunto com um médico especialista e que a decisão final de utilizá-lo, ou não, seja tomada em comum acordo entre a paciente e o seu médico.

*Márcio de Sá é médico clínico formado pela UFMG, especialista em Medicina Preventiva, Mestre em Saúde Pública pela Université Paris VI, e trabalhou durante 11 anos no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. O médico mora e trabalha no Rio de Janeiro.

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19 Comentários

Maristela 25 de agosto de 2018 - 16:28

Faço modulação hormonal de bio idênticos e foi a melhor decisão que eu tomei!
Se for pra morrer, que seja sem calor!!

E outra coisa, só levo à sério o tema menopausa, quando tratado por uma profissional de saúde ( MULHER) que já esteja na menopausa.
Não aceito nenhum homem, nem jovem, de qualquer área de saúde, falando teoricamente sobre um assunto que não vive ainda. Se eu precisar de teorias vou ler livros.

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Maísa 29 de agosto de 2018 - 15:11

Gostaria de saber qual a sua médica eu faço bioidenticos e os fogachos não acabaram o médico já mudou a medicação e nada estou desanimada com bioidenticos

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márcia 21 de junho de 2016 - 11:17

Estou com 55 anos e em uso de modulação hormonal bioidênticos. É natural e estou me sentindo nas nuvens.

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Iza Santos 7 de setembro de 2016 - 04:26

Olá, Márcia. Gostaria muito de obter informações sobre a reposição com hormônios bioidênticos. Me tratei por três anos com Natifa Pro, sempre com muito medo dos efeitos colaterais. Decidi parar por conta própria e me senti muito mal, pior do que antes de começar o tratamento. Parecia que eu tinha sido atropelada, de tantas dores que sentia no corpo, dormência, falta de ar, taquicardia… Não suportei ficar mais de dois meses sem tomar os hormônios.Voltei a tomar hoje mas não quero continuar, pois tenho muito medo.Me conte o que sentia e como se sente com os hormônios bioidênticos. Meu e-mail é: [email protected]
Obrigada e saúde!

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Lujan 20 de junho de 2016 - 14:19

Não faço reposição hormonal. A mesma me foi contra indicada devido a um histórico familiar de câncer de mama. Isto procede, doutor?

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Terezinha A Inacio 17 de dezembro de 2015 - 15:28

Muito boa a informação, mas teria entao algum tratamento alternativo? Minha gineco disse, que a reposição é fundamental para que eu nao venha a ter problemas de osteoporose e outros mais.

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cléria pinheiro 22 de outubro de 2015 - 15:29

Eu tinha receio quanto à reposição hormonal, este artigo esclareceu todas as minhas dúvidas .Obrigada doutor

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Dr. Márcio de Sá 22 de outubro de 2015 - 22:42

Cléria,
Fico contente que o meu artigo tenha esclarecido as suas dúvidas.
Obrigado por ler-me, eu estou aqui todas as terças…
Grande abraço para você.

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Elaine 22 de outubro de 2015 - 12:04

Prezado Dr. Márcio, Adorei esse último comentário do Sr. Eu já consultei médico tão indiscreto. Tenho 69 anos, moro em São Paulo, acho uma pena que o sr. não mora aqui. Muito obrigado.

Responder
Dr. Márcio de Sá 22 de outubro de 2015 - 14:12

Muito obrigado, D. Elaine, fico animado e satisfeito por ter gostado!
Se eu morasse em São Paulo, seria uma honra para mim poder ser o seu médico!
Um grande e cordial abraço para a Senhora.

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Dr. Márcio de Sá 22 de outubro de 2015 - 10:44

Bom dia, Simone,
Obrigado pelo seu comentário.
Fico muito satisfeito em saber que os artigos que tenho escrito aqui no 50emais agradam-lhe!
Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer-lhe, a você e aos demais leitoras e leitores do que aqui escrevo que, quando me forem feitas perguntas, solicitados esclarecimentos específicos e de dúvidas, eu responderei, sempre e exclusivamente, individualmente, por meio do endereço eletrônico de cada pessoa.
Este é o motivo pelo qual a editora do blog responde inicialmente informando o meu email profissional ([email protected]). A razão dessa maneira de responder aos questionamentos feitos deve-se ao dever e à obrigatoriedade de Sigilo Médico e de confidencialidade a que estão sujeitos todos os profissionais de saúde,
Como médico, então, eu só devo responder, repito, individualmente e diretamente pelo email de cada pessoa.
Um abraço para você e volte sempre ao 50emais.

Responder
Simone 22 de outubro de 2015 - 04:12

Esta série de artigos sobre assuntos médicos é realmente boa e muito interessante. Obrigada

Responder
Nenez 21 de outubro de 2015 - 13:24

Excelente artigo!!!

Responder
Dr. Márcio de Sá 21 de outubro de 2015 - 17:31

Muito obrigado, Nenez!
Um grande abraço para você

Responder
Gislayne Matos 21 de outubro de 2015 - 10:43

Achei bem interessante esse artigo porque é um assunto do qual se fala menos do que se deveria. Sei dessa trombose provocada pelos hormônios e sei de um caso onde a pessoa teve a trombose no cérebro , em seguida a alergia ao medicamento Hidantal . O diagnóstico foi síndrome de Steve Johnson e a pessoa ficou 30 dias no CTI, por pouco não veio a óbito e o começo da história foi a reposiçao hormonal.

Responder
Gislayne Matos 23 de outubro de 2015 - 17:15

Também estou ansiosa para encontrá-la , vamos marcar
Grande , enorme abraço

Responder
Maria Augusta 20 de outubro de 2015 - 22:01

Gostaria que comentasse sobre os hormônios bioidenticos.
Agradecida

Responder
Etelvina Assunção 20 de junho de 2016 - 19:10

Como a Maria Augusta eu também tenho interesse nos hormônios que não são sintéticos.

Responder
rosane degenhardt 20 de outubro de 2015 - 20:32

Fiz esterectomia total e nunca tomei nenhum tipo

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