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Retrato de um tempo: Geraldo Vandré e Joan Baez

Por Maya Santana

O momento mais emocionante do show da cantora em São Paulo

O momento mais emocionante do show da cantora em São Paulo

Maya Santana

Apesar de ter acontecido no final de semana, não posso deixar de registrar aqui o encontro histórico da cantora Joan Baez, 73, com Geraldo Vandré, 78. Num determinado momento do show que fazia em São Paulo, a diva do folk disse: “Eu vou convidar para subir ao palco um mito. Ele não gosta disso, prefere ser somente um homem. Ele virá aqui, mas não vai cantar, vai ficar do meu lado”.

Este foi o momento mais emocionante da apresentação da cantora: Vandré  subiu ao palco e foi ovacionado de pé. Em seguida a plateia cantou  “Pra não dizer que não falei das Flores”.  A música que ele compôs em 1968 tornou-se um hino de resistência à ditadura militar. Profundamente emocionado, nem assim Vandré cantou.

Ele não grava um disco desde 1971, nem participa de shows ou programas de televisão.  Deu pouquíssimas entrevistas ao longo desse tempo. Vive em São Paulo no mais completo anonimato.

Há coisa de oito anos, fui levada por uma amiga ao apartamento dele, no centro de São Paulo. Fomos sem avisar. Batemos a campainha e, depois de algum tempo, ele abriu a porta. Usava um rabo de galo. Fiquei surpresa com o quanto estava conservado.

Fomos convidadas a entrar e ele se mostrou muito gentil durante o tempo todo que estivemos lá. Conversou principalmente com minha amiga, perguntando pelo pai dela – o homem que o havia ajudado a fugir do Brasil, em 1969.

O apartamento era desses antigos. Com o pé direito alto. E tinha vários cômodos espaçosos. Eu e ela ficamos o tempo todo sentadas na sala. Ali, eram poucos os móveis e todos tinham jornais em cima, muitas publicações antigas, amareladas.  Vandré realmente me pareceu fisicamente em forma, ainda lembrando aquele homem bonito dos festivais da canção. Também o senti alheio, distante. Conectado, talvez, a um outro tempo.

A participação dele no show  com Joan Baez, no entanto,  foi pura emoção, reeditando um pouco o que ocorreu na sexta-feira, quando os convidados foram Milton Nascimento e Gilberto Gil. E a música que mexeu com a plateia foi “Cálice”:

 

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2 Comentários

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lisa santana 30 de março de 2014 - 00:29

Maya, nos idos de 60 eu era menina, mas em meados da década de 70, adolescente, já adorava cantar as músicas dele. De uma força combativa sem igual. Eu, que na época não sabia nada direito sobre a ditadura mas tinha gosto por boas músicas(rs). Boas lembranças, apesar de saber que o que o levou a compor as músicas que gosto tanto foi o tempo triste da ditadura . Tenho certeza que gostaria de ter ido ao show para também ver a joan baez.

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nenez 29 de março de 2014 - 17:48

Quanta coisa linda!

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