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Richard Gere completa 77 anos nesta segunda-feira, 31 de agosto, muito distante da imagem de símbolo sexual que o transformou em um dos atores mais desejados de Hollywood. O astro de Uma Linda Mulher envelheceu diante das câmeras, mas parece ter encontrado uma maneira particular de lidar com a passagem do tempo: menos preocupado com a aparência e mais interessado em família, espiritualidade e causas humanitárias.
Nascido na Filadélfia, em 1949, Gere começou a carreira artística ainda jovem. O reconhecimento internacional veio nos anos 1980, principalmente com Gigolô Americano, filme que consolidou sua imagem de galã. Pouco depois, ele estrelou A Força do Destino e se tornou uma das grandes estrelas do cinema americano.
Mas foi em 1990, ao interpretar o milionário Edward Lewis em Uma Linda Mulher, ao lado de Julia Roberts, que Richard Gere entrou definitivamente para o imaginário popular. O filme se tornou um fenômeno mundial e fez dele um dos homens mais famosos e cobiçados do planeta.
O mais sexy de todos
Em 1999, a revista People o escolheu como “Sexiest Man Alive”, o homem mais sexy do mundo. A distinção confirmou uma imagem que o acompanhava havia duas décadas. O tempo, entretanto, mudou as prioridades do ator. Aos 77 anos, Gere parece menos interessado em preservar o personagem do galã e mais empenhado em viver de acordo com aquilo que considera essencial.

A família ocupa hoje um lugar central em sua vida. Desde 2018, ele é casado com a espanhola Alejandra Silva, com quem tem dois filhos. Gere também é pai de Homer, de seu relacionamento anterior com Carey Lowell. A família procura preservar a privacidade e costuma escolher lugares mais reservados para passar períodos juntos.
A espiritualidade é outra dimensão importante dessa nova etapa. Gere se aproximou do budismo ainda jovem e, depois de uma viagem ao Nepal, aprofundou sua ligação com o budismo tibetano. Ao longo dos anos, tornou-se um conhecido admirador e apoiador do Dalai Lama.
Causas humanitárias
A meditação passou a fazer parte de sua rotina e é, para ele, muito mais do que uma técnica para relaxar. É uma maneira de desacelerar, olhar para dentro e manter alguma distância da pressão e das expectativas que acompanham a fama. Reportagens sobre seus hábitos destacam justamente essa relação entre meditação, alimentação e qualidade de vida. Gere já falou sobre a importância de reservar tempo para meditar e encontrar motivação para enfrentar o cotidiano.
Mas talvez a transformação mais significativa tenha acontecido na maneira como ele encara a própria celebridade. Em vez de utilizar a fama apenas para alimentar a carreira, Gere há décadas a emprega para chamar atenção para problemas humanitários.
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A causa tibetana tornou-se uma das principais bandeiras de sua vida pública. Desde os anos 1980, ele defende os direitos do povo tibetano e a preservação de sua cultura. É fundador da Gere Foundation e presidente do conselho da International Campaign for Tibet.
Meio ambiente e direitos humanos
Seu ativismo também inclui questões ambientais, direitos humanos, refugiados e conscientização sobre HIV/Aids. Na Índia, apoiou iniciativas destinadas a mulheres e crianças afetadas pela doença e criou projetos voltados para ações humanitárias.
Essa postura teve consequências. Por seu posicionamento em defesa do Tibete e por críticas ao governo chinês, Gere tornou-se uma figura incômoda para Pequim e acabou impedido de entrar na China.
Também não abandonou completamente o cinema. Continua trabalhando e, em 2026, está envolvido em Asymmetry, dirigido por Edward Zwick. O filme aborda um relacionamento entre um escritor mais velho e uma jovem editora, tema que naturalmente provoca discussões sobre idade, desejo e relações entre gerações.
Beleza diferente
A carreira de Richard Gere, portanto, não terminou quando os cabelos começaram a ficar brancos ou quando ele deixou de aparecer nas listas dos homens mais desejados de Hollywood. A experiência acumulada não precisa significar afastamento da vida, mas pode abrir espaço para outras escolhas.
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O ator continua trabalhando, tem uma família jovem, pratica meditação e permanece envolvido em causas que considera importantes. Hoje, o ator representa uma ideia diferente de envelhecimento. Não parece interessado em competir com o homem que foi aos 30 ou 40 anos.

Para quem acompanhou sua trajetória desde Gigolô Americano e Uma Linda Mulher, Richard Gere oferece, aos 77 anos, uma imagem diferente de beleza. Uma beleza que não depende apenas do rosto ou do corpo, mas também da serenidade, da experiência, da capacidade de amar e da disposição de usar a própria fama para ajudar outras pessoas.
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