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Roberto Carlos será o último censor do Brasil?

Por Maya Santana

O livro conta a história da batalha judicial entre Paulo César Araújo e o cantor Roberto Carlos

Livro conta a batalha judicial entre Paulo César Araújo e RC

Maya Santana

Estou saindo esta manhã para comprar “O Réu e o Rei”, o livro de Paulo César Araújo, que se tornou o mais falado da semana, por tratar-se de uma resposta do autor à decisão do cantor Roberto Carlos de continuar impedindo a venda de sua biografia “Roberto Carlos em Detalhes”. Este livro foi lançado em 2007. E desgostou profundamente RC. Os advogados do cantor entraram logo em ação: mais de 11 mil exemplares da obra foram recolhidas e, segundo Paulo César, em longa entrevista para a GloboNews, continuam estocados até hoje, em um galpão, na grande São Paulo.

Já tive grande interesse por Roberto Carlos. Não tenho mais. Vou comprar “O Réu e o Rei” para dar de presente à amiga Tinda Costa, uma das poucas pessoas que conheço que conseguiram ler “Roberto Carlos em Detalhes”. Deu tempo de comprar antes que fosse recolhido. Como todo mundo que leu a obra, Tinda acha um absurdo RC ter tomado a iniciativa de censurar a biografia. Até porque não há nada lá, afirma ela, que justificasse a proibição. Aliás, o autor garante que Roberto Carlos tratou de desaparecer com o livro sem sequer ter se dado ao trabalho de lê-lo.

“O Réu e o Rei” chegou às livrarias na terça-feira, dia 20, absolutamente na surdina. Quando a imprensa se deu conta, o livro já estava sendo vendido. A estratégia do lançamento em silêncio foi adotada pela editora, Companhia das Letras, para evitar que Roberto Carlos e seus advogados, uma vez mais, estragassem a festa. Na entrevista, Paulo César Araújo diz estar confiante que , desta vez, Roberto Carlos – advogados do cantor já anunciaram que estão examinando a obra – não tomará nenhuma atitude mais drástica contra esse novo livro, pois, agindo assim “será o último censor do Brasil”.

Roberto Carlos já acionou seus advogados para examinarem novo livro

Roberto Carlos já acionou seus advogados para examinarem novo livro

O jornal O Globo publicou o texto de introdução de “O réu e o rei”, em que o escritor relembra o dia em que seu livro anterior foi banido.

“São Paulo, sexta-feira, 27 de abril de 2007.
Eram 13h40 quando eu e Roberto Carlos entramos na sala 1-399 do Complexo Judiciário Ministro Mário Guimarães, 20ª- Vara do Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da cidade. Pela primeira vez ficaríamos frente a frente desde que ele movera dois processos contra mim na Justiça: um na área cível, outro na criminal. O artista me acusava de invadir sua privacidade, usar indevidamente sua imagem e atingir sua honra, boa fama e respeitabilidade. A prova estaria no livro Roberto Carlos em detalhes, escrito por mim e publicado pela editora Planeta em dezembro de 2006. Além da imediata proibição da obra, o cantor pedia uma alta indenização em dinheiro (chegou a requerer multa diária de 500 mil reais) e minha condenação a uma pena que, segundo seus advogados, poderia ultrapassar dois anos de cadeia.

Nosso encontro no fórum era uma das etapas do processo criminal: uma audiência de conciliação convocada pelo juiz Tércio Pires. Inicialmente, o magistrado marcara a sessão para sexta-feira, 13 de abril — conforme chegou a ser publicado no expediente judiciário. Roberto Carlos solicitou, porém, a mudança de data. Como o próprio artista admite, tem superstição com o número 13, e sempre que possível o evita. Consta que ele não marca nada de muito importante nessa data, não se senta em poltrona 13 de avião, não anda em carro que tenha 13 na placa e deseja construir prédios sem o 13º- andar. A data da audiência foi então reagendada para uma outra sexta-feira, 27 de abril. Contrariando previsões meteorológicas, fazia calor naquela tarde. Evitei meu traje habitual, de maior informalidade, e fui para a reunião de blazer e calças cinza, camisa e sapato social preto. Roberto Carlos compareceu vestido de Roberto Carlos: calça jeans, terno azul e tênis branco. Clique aqui para ler mais.

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