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Durante muitos anos, Ronaldo Nazário teve a rotina determinada por treinos, jogos, viagens e processos de recuperação de lesões. Um dos maiores jogadores da história do futebol, acostumado a decisões tomadas em função do calendário esportivo, vive hoje uma fase bastante diferente. Prestes a completar 50 anos, o ex-atacante diz que passou a valorizar aquilo que durante boa parte da carreira lhe faltou: tempo para administrar a própria vida.
Em entrevista publicada pela Esquire Brasil, Ronaldo descreve uma rotina mais reservada, dedicada à família, aos negócios, aos cuidados com a saúde e à prática de tênis. Uma realidade que contrasta com a intensa exposição que acompanhou sua carreira desde a adolescência, quando despontou como uma das principais promessas do futebol brasileiro. A reportagem mostra um homem menos identificado com o personagem “Fenômeno” e mais interessado em preservar a vida privada.
Carreira construída sob pressão
Ronaldo iniciou a carreira profissional no Cruzeiro, em 1993. Pouco depois, transferiu-se para o PSV Eindhoven, da Holanda, iniciando uma trajetória internacional que o levaria ao Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Milan. Pela seleção brasileira, conquistou duas Copas do Mundo, em 1994 e 2002, e marcou 62 gols em 98 partidas.
A carreira também foi marcada por sucessivas lesões, especialmente nos joelhos. A ruptura do tendão patelar, em 1999, seguida por uma nova lesão meses depois, transformou-se em um dos episódios mais emblemáticos do esporte. O retorno aos gramados culminou na conquista da Copa do Mundo de 2002, quando terminou o torneio como artilheiro.
Ao longo da carreira, foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo pela FIFA, tornando-se um dos principais nomes da história do futebol.
Vida depois do futebol
Desde que encerrou a carreira, em 2011, Ronaldo passou a concentrar sua atuação no meio empresarial. Investiu em marketing esportivo, gestão de clubes, tecnologia e comunicação. Também participou da administração do Real Valladolid, da Espanha, e do Cruzeiro, em BH, clube onde iniciou a carreira profissional. Embora continue ligado ao esporte, sua rotina deixou de girar exclusivamente em torno dele.
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Na entrevista à Esquire Brasil, Ronaldo afirma que procura reservar as manhãs para atividades físicas. Quando possível, joga tênis. Em seguida, dedica-se aos compromissos profissionais e à administração de seus negócios. A mudança, segundo ele, representa uma conquista construída ao longo dos anos.
Questionado sobre o maior luxo de sua vida atualmente, respondeu de forma direta: “Ser dono do meu tempo.” A afirmação resume uma realidade comum a profissionais que encerram carreiras de grande intensidade. Depois de décadas vivendo sob compromissos rígidos e cobranças permanentes, administrar o próprio ritmo passa a representar qualidade de vida.
Família ocupa espaço central
Outro aspecto destacado por Ronaldo é a convivência familiar. Casado com a modelo Celina Locks desde 2023, o ex-jogador afirma que gosta de permanecer em casa, receber amigos e aproveitar momentos simples, distantes da rotina de viagens que marcou sua vida profissional.
Essa mudança acompanha uma tendência observada por especialistas em envelhecimento. Estudos sobre qualidade de vida indicam que, ao longo da maturidade, relações familiares, amizades e bem-estar emocional passam a exercer influência crescente na percepção de felicidade, muitas vezes superando fatores ligados ao desempenho profissional ou ao patrimônio acumulado.
Reinvenção após o auge
Psicólogos especializados em desenvolvimento adulto observam que um dos principais desafios da meia-idade é reconstruir a identidade quando a profissão deixa de ocupar posição central na vida. No caso de atletas de alto rendimento, esse processo costuma ser ainda mais intenso. O encerramento da carreira representa não apenas uma mudança de trabalho, mas também uma redefinição da própria imagem pública.
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Ronaldo parece atravessar essa etapa de forma gradual. Continua sendo uma das personalidades mais conhecidas do esporte brasileiro, mas passou a ocupar espaço também como empresário, investidor e gestor. A exposição permanece. A rotina, não.
Ao longo da entrevista, chama atenção o fato de Ronaldo falar menos sobre conquistas esportivas e mais sobre escolhas pessoais. O discurso é marcado por referências à família, ao tempo livre, à saúde e ao prazer de construir uma rotina menos acelerada.
Para quem viveu durante décadas submetido ao calendário do futebol internacional, talvez essa seja a principal transformação da maturidade: substituir a obrigação de corresponder às expectativas dos outros pela liberdade de decidir como deseja viver sua própria vida.
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