fbpx

Ronnie Von: um incompreendido chegando aos 70

Por Maya Santana

"Ele seria o avô da Tropicália, pai do psicodelismo, um revolucionário"

“Ele sofreu com o desprezo da própria classe artística”

Quem não se lembra de Ronnie Von, com aqueles olhos verdes grandes, cabelos longos, que ele jogava para o lado quando queria fazer charme? Foi um dos homens mais bonitos do Brasil. Embora fosse um artista de talento, nunca conseguiu o sucesso que merecia. A mestre Rita Lee considera que ele “foi tão importante quanto Roberto Carlos”. Neste artigo para o Estadão, o jornalista Júlio Maria garante que Ronnie Von, que completa 70 anos em junho próximo, teve “uma das carreiras mais incompreendidas da música nacional”.

Leia o artigo:

Ele seria o avô da Tropicália, pai do psicodelismo, um revolucionário a dar dimensão e profundidade ao rock sessentista seguindo as lições do experimentalismo beatleniano dos anos 60 não fosse um detalhe: ninguém entendeu absolutamente nada. E pior: Ronnie Von não soube se explicar.

Uma das carreiras mais incompreendidas da música nacional, que sofreu com o desprezo de sua própria classe artística, volta a ganhar luz este ano. Ao fazer 70 anos em 17 de julho, Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira, Ronnie Von, deve ganhar de presente uma biografia, a sua biografia, que está sendo feita pelo jornalista Luiz Pimentel. Um documentário de TV, exibido pelo canal Bis e idealizado por Ricardo Alexandre, já havia recolocado alguns pingos nos is ao retratar Ronnie com a força que o tempo imprime aos homens das sombras. “Acho que ele foi tão importante quanto Roberto Carlos. Ele nos apresentou outra coisa, nos permitiu sermos quem éramos”, disse no especial Rita Lee, ao lembrar do único programa da TV Record dos anos 60 em que tudo era possível, O Pequeno Mundo de Ronnie Von.

O que Ronnie não queria ser era Roberto Carlos. Nada contra o rei, mas cantar baladas ingênuas em troca de uma exposição de sucesso estava fora de seus planos. A partir de 1968, ele lançou três discos considerados psicodélicos, que só começaram a ganhar seu verdadeiro valor a partir dos anos 2000, quando os sebos colocaram seus preços nas alturas.

Ao ouvir os Beatles cantando Eleanor Rigby, Ronnie teve a visão mais nítida do que queria para sua vida. Foi para o estúdio e imprimiu as mesmas ideias de rock sinfônico em Espelhos Quebrados, do parceiro Arnaldo Saccomani, um dos poucos que estiveram a seu lado mesmo em momentos que pareciam os mais insanos. Afinal, moreno, olhos verdes, educado nas altas esferas da sociedade carioca, Ronnie tinha tudo para querer o trono de Roberto se não fosse um porém: seu cérebro tinha vida própria.

A angústia de Ronnie Von começou no dia em que ele decidiu ser músico e só terminou no dia em que ele decidiu parar de cantar. “Agora, eu me sinto em paz”, diz, em sua casa no bairro do Morumbi, em São Paulo. Às vésperas de completar 70 anos, prestes a ter sua vida retratada em uma biografia escrita pelo jornalista Luiz Cesar Pimentel, recém-saído de um estúdio onde regravou músicas de sua fase psicodélica para o documentário Quando Éramos Príncipes, de Ricardo Alexandre, o homem que se satisfaz plenamente apresentando um programa de TV nunca foi príncipe. Ou, se foi, esqueceram de lhe dar um reino. Clique aqui para ler mais.

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário