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Roteiro mostra as “mais belas bundas” do Louvre

"Dircé" do italiano Lorenzo Bartolin 1777-1850
“Dircé” do italiano Lorenzo Bartolin 1777-1850

Há várias maneiras de descobrir as 35 mil obras expostas nos 60.600 metros  quadrados das labirínticas salas do Museu do Louvre. No ano passado, 9,7 milhões  de visitantes — um recorde — percorreram sinuosos caminhos por entre as coleções  de arte divididas em oito departamentos. Mas à margem do enigmático sorriso da  Mona Lisa e de outras incontornáveis obras de sucesso do acervo, o guia Bruno de  Baecque optou por se aventurar por caminhos menos trilhados e mais voluptuosos.  Certa vez, em uma de suas visitas com um grupo, uma das turistas comentou diante  da pintura “A morte de Sardanapalo”, do pintor francês Eugène Delacroix  (1798-1863):

— Este é o quadro mais erótico que já vi na minha vida.

A morte de Sardanapalo, de Eugène Delacroix, em 1827
A morte de Sardanapalo, de Eugène Delacroix, em 1827

Foi a centelha para que criasse um circuito singular, intitulado  provocativamente de “As mais belas bundas do Louvre”. Numa visita de cerca de  uma hora e meia, Baecque mostra bundas artísticas, muitas, pintadas ou  esculpidas. De vários tipos, formas, estilos e épocas. De homens, mulheres e  também de um hermafrodita. Para auxiliar na observação do derrière, o centro da  visita, foi confeccionado um utensílio próprio, um triângulo de cartolina seguro  por uma haste e com um furo para ajustar o olhar: pelo orifício é possível  isolar do todo a parte do corpo desejada, oferecendo uma outra perspectiva. Mas  o motivo do erótico circuito, segundo ele, é uma sedutora desculpa por trás do  principal objetivo: introduzir um novo olhar na obra de arte. No trajeto, o  contexto histórico e a biografia do artista estão em segundo plano, e sempre  aparecem depois que a obra — e a bunda nela incluída — já foi devidamente  analisada pelos curiosos e muitas vezes surpresos integrantes do grupo, limitado  a 15 pessoas.

“Mercúrio e Psiquê”, do holandês Adrien de Vries (1545-1626)
“Mercúrio e Psiquê”, do holandês Adrien de Vries (1545-1626)

— Não é uma aula de História da Arte. Trata-se de uma verdadeira exploração  do olhar, para que percamos as referências que já temos e descubramos novas  sensações. O olhar é feito de camadas, e libera coisas quando olhamos uma, duas  vezes, e por meio de diferentes ângulos — explica.

Além fazer o grupo circundar as obras, se inclinar ou se ajoelhar para obter  novos ângulos de percepção, o guia provoca a interatividade, estimulando os  turistas a definirem com uma palavra as bundas observadas. Diante de “Dircé”,  escultura do italiano Lorenzo Bartolini (1777-1850), vêm as impressões: moderna,  simétrica, bela, hiperatual, pêssego, damasco, tomate. No jogo do olhar proposto  por Baecque, com uma simples mudança de perspectiva o traseiro de Dircé passa a  ser “menos puro”, de “diferente volume”.

“Psiquê revivida pelo beijo do amor”, do italiano Antonio Canova  (1757-1822
“Psiquê revivida pelo beijo do amor”, do italiano Antonio Canova (1757-1822

Neste vai e vem com a obra, a intenção é potencializar uma fórmula do artista  contemporâneo Robert Filliou (1926-1987): “A arte é o que torna a vida mais interessante do que a arte.” Por isso, faz seu grupo exercitar o olhar diante de  “Psiquê revivida pelo beijo do amor”, do italiano Antonio Canova  (1757-1822).

— São dois amantes que se beijam. Podemos treinar intensamente nosso olhar  aqui, e quando observarmos cenas semelhantes na vida real, na rua, num café, as  sensações surgirão de forma mais rápida e diferente — defende. Leia mais em oglobo.com.br

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