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Saber o que fazer com o tempo que nos resta

Por Maya Santana

Apesar de escasso, o tempo é o nosso único capital

Apesar de escasso, o tempo é o nosso único capital


Déa Januzzi

Quero deixar para trás todos os fantasmas de 2014, que vieram assombrar os nossos dias. Apesar de o tempo, hoje, ser uma energia escassa, ele também é o nosso único capital. Temos que saber o que fazer com o tempo que nos resta. Não podemos, porém, jogar no lixo um ano inteiro, mas precisamos colocá-lo em seu devido lugar: “Xô, 2014!”

Quero exorcizar esse ano-velho como se fosse um demônio, que sempre é muito sedutor, mas cheio de promessas vãs e com a mesma cara de sempre. É como um abismo que a gente cai sem ver. Xô, Satanás, com essa cara de anjo, com essa conversa atravessada, com esse perfume falso cheirando a jasmim. Xô, 2014 com esse vazio no peito, com esse nó na garganta, com toda essa desesperança, com esse enjoo no estômago, xô!

Quero é anunciar um novo tempo, reciclar todo esse lixo, tirar essa graxa pregada no corpo, com banhos de alecrim, com dieta de sorrisos e ficar bem distante dessa seriedade toda que nos conduz mais depressa à velhice e nos afasta dos nossos filhos. Xô, seriedade, que nada tem a ver com sabedoria. Meu remédio contra a mesmice é prestar atenção na linguagem do coração e da intuição, é comprar um casaco vermelho para vestir depois dos 60 anos, como fazem os japoneses. Só têm permissão para usar essa cor, atributo dos deuses, quem chegou aos 60.

Neste novo ano, eu quero é viver sem pensar em ter um carro do ano, sem pagar prestações a perder de vista. Eu quero é andar a pé, de ônibus, de bicicleta, eu quero é me desapegar de falsos valores, do consórcio de imóveis que me pôs dentro de uma prisão, pois se você entrou nesse grilhão de desejos, não tem mais como sair. Não pode desistir nem se arrepender ou pedir o dinheiro de volta para curtir uma viagem ao Peru, em busca da mística dos incas, sem data para voltar. Eu quero é ser sabática, descansar todo sábado como fez Deus no sétimo dia da criação.

Quero é me despojar dessa pele de falsas intenções, da competição, dessa raiva generalizada, eu quero é exercitar a alma, dar asas ao espírito. Eu quero é assistir à aurora boreal, lá no Sul da Patagônia, entre as montanhas nevadas. Eu quero é curtir esse arco-íris gelado nas plataformas dos pescadores de salmão de Puerto Aysén, no Chile. Ficar deitada olhando essa faixa de luz colorida, com 24 horas de Sol.

Eu quero é ter tempo para não fazer nada e aprender com os mais velhos que bengala não é só para amparar a decrepitude, mas um sinal de poder, como um cajado, para gente marcar o compasso da natureza.

Eu quero é meditar, como quem escova os dentes todas as manhãs, para perfumar o hálito e espantar os bichinhos contagiosos da amargura, da mágoa, do estresse e da loucura. Eu quero é sacudir essa poeira do consumismo, de ter e ter e ter mais. Se eu olhar hoje para o meu armário, com um novo olhar, vou perceber que tenho roupa para usar até a velhice, sem precisar de comprar nem mais uma peça. Vou colocar para fora todas as minhas saias rodadas, os xales de crochê, de lã, de fios dourados e voltar a ser mulher, sem farda, sem botina, sem ombreiras.

Neste novo tempo, vou vestir o sari indiano que ganhei de presente, vou me aventurar pelas terras férteis da existência. Neste novo ano vou colocar todas as datas importantes em letras maiúsculas, independentemente dos manuais de redação. Datas importantes para mim e não do calendário gregoriano. Vou marcar as horas e o tempo pelo Calendário da Paz, de 28 dias e 13 Luas, para ficar mais à vontade. Vou afogar os relógios de 60 minutos e riscar do mapa da minha vida as eternas cobranças.

Vou enxergar tudo com os olhos do amor, pois o que é realmente importante só se vê com o coração. Vou me mudar para bem longe, mas bem perto de pessoas que pensam como eu, que querem um novo mundo. Vou deixar de ser carente e me sintonizar com energias mais sutis, menos escancaradas, vou aprender a vibrar em outro ritmo, para ter afeto em abundância. Não quero contratos de compra e venda nem de aluguel nem contas a pagar. Vou viver com o que eu tenho e deixar de comer o lixo dos outros. Cada um tem que dar conta de limpar o seu próprio lixo. Não quero viver num circo, com atores dramáticos que nunca pensam nos outros, só em si mesmos.

Vou me permitir o novo, me desligar dos extremos, das paixões exageradas. Quero me conectar com o Cosmo, afinal, eu sou vento galático branco no Calendário Maia e quero é vento batendo no meu rosto, levantando as minhas saias.

Vou mudar a vibração para encontrar a abundância. Vou regar todos os dias o meu coração para que ele nunca mais murche, fique pequeno, escondido dentro de mim.
Quero me alimentar de poesia, e a cada duas horas do dia vou dar uma parada, pensar numa praia deserta, para levar à mente essa energia fresca, renovada, tranquila, porque o tempo é uma energia escassa. E eu não tenho mais tempo a perder!

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2 Comentários

sonia imanishi 25 de janeiro de 2015 - 10:28

Querida Déa, feliz 2015!
Lindo!
Estou adorando tudo que você escreve!
Nada é por acaso, acabo de perder uma amiga contra o câncer e de repente este blog cai na minha página, li a matéria com o video da médica Geriatra, de 28/04/14…
E depois, esta crônica…
Ė isso aí!
Bora viajar, conhecer almas que falam a mesma língua…
Bora pra Machu Picchu e fazer sentir a espiritualidade do local…
Abrir os braços para o universo como num o vôo do condor.
Bora soltar as amarras do mundo consumista.
E viver, viver de verdade!
E assim aproveitar cada minuto que resta de nossas vidas…
simplesmente buscando ser feliz nas pequenas coisas!

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anayansi correa brenes 14 de dezembro de 2014 - 21:19

oi Dea!!!
Foi exatamente neste ano “incerto” que comecei a rever o meu tempo
E decidi aposentar. Olha, quem fica excluido realmente deve rever nivs insercao…
Agora…se for a questao da idade…vc amiga e’ muito jovem para pensar
Assim…

Um beijo. ..

Anayansi

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