Santa Luzia quatro anos depois

Por Maya Santana

Santa Luzia é uma cidade histórica, fundada há mais de 300 anos

Recentemente, passei alguns dias na minha cidade, Santa Luzia, em Minas Gerais, e duas coisas me chamaram a atenção: a primeira, foi como o prefeito, que passou praticamente o mandato inteiro sem fazer nada no município de mais de 300 anos, colado a Belo Horizonte, de uma hora para outra, resolveu mexer em tudo: criou praças, plantou jardins, asfaltou ruas e avenidas por todo canto, começou a construir postos de saúde e a recuperar outros, passou a cuidar do que nunca cuidou antes.

A faxina geral na cidade – mais de 200 mil habitantes -, literalmente abandonada por quase quatro longos anos, começou há poucos meses. Assim, de repente, as ruas se encheram de funcionários da prefeitura cortando, plantando, medindo, pintando, recapeando, escondendo o velho, desgastado, com pinceladas do novo.

Igreja de São João Batista, na parte baixa da cidade, dividida pelo Rio das Velhas

Surpresa, perguntei a um dos secretários, se o prefeito está se candidatando à reeleição, por que mostra serviço só agora, na reta final? “Foi falta de sorte dele”, me disse o secretário. “O dinheiro só chegou agora de Brasília”. Neste domingo, 7 de outubro, os moradores de Santa Luzia deverão dar, através das urnas, uma resposta a essa “falta de sorte” do atual mandatário.

Sem sorte, aliás, é a cidade, entre as mais antigas do estado de Minas Gerais, com seu estranho dom de atrair pessoas que, de costas para seu passado histórico, só pensam em explorá-la, deformá-la, arrancando dinheiro de onde podem e de onde não podem. Aqui, entra a segunda questão que chamou a minha atenção.

O Rio das Velhas no encontro com um ribeirão ainda mais poluído

Será que órgão concedeu licença para que transformassem trechos das margens do Rio das Velhas, ao longo da rodovia que margeia o rio, em locais para se despejar entulho? São caminhões e caminhões, carregados de material para jogar fora, despejando enormes quantidades a poucos metros do rio – verdadeiro atentado contra tudo que se possa chamar de sensato.

O Rio das Velhas, principal afluente do São Francisco, já foi navegável. Nos tempos atuais, chega a Santa Luzia esmirrado, quase morto de tanta poluição. Precisa ter suas margens recuperadas com o plantio de árvores de espécies nativas. Precisa de ações menos hostis à sua sobrevivência para que volte a adquirir algum vigor. Quem é que está ganhando com o constante atirar de entulhos em suas margens? A cidade de Santa Luzia não é. O rio, coitado, muito menos. Você que me lê sabe me dizer quem é?


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3 Comentários

toninho reis 6 de outubro de 2012 - 11:19

Uma vergonha, um desrespeito , uma falta de educacao…..

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Carlos Magno 6 de outubro de 2012 - 02:07

Infelizmente, correm boatos de que os responsáveis, desta vez, não são forasteiros. Parece que trata-se de gente da própria cidade. É uma lástima!

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nenez 5 de outubro de 2012 - 17:23

É triste, mas é verdade! Quem será?

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