Saudades

Por Maya Santana
Santa Luzia, a cidade em Minas Gerais, onde nasci

Santa Luzia, a cidade mineira onde nasci – foto: Anderson Sutherland

Hoje, 24 de junho, dia de São João, a minha mãe, Clara, faria 93 anos. Ela partiu numa ensolarada manhã de domingo de agosto, em 2008, deixando muito mais do que saudade. Marco sempre o aniversário dela, publicando aqui este poema, escrito pela minha irmã Lisa Santana:

Quando o meu pai morreu
Apesar de não ser mais tão moça
Me encolhi como uma menina
Me cobri com o manto da
Tristeza
Do vazio
E da dor
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A generosidade
O amor
A saudade
Quando o meu irmão mais velho morreu
Eu fiquei estupefata
Achei a morte ingrata
Por ter convidado para uma dança
Um homem ainda novo
E achei o meu irmão bobo
Por ter aceitado a companhia
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A reza
A saudade
A sensação da casa vazia
Quando a minha mãe morreu
Eu uma mulher mais que feita
Chorei
Corri a encher as jarras de flores
Cantei pra ela
Tomei chá de folha de laranja da terra
Acendi vela
E dela
Quando a lembrança vem
Me faz pensar que agora
Em algum lugar
Em algum dia
Em alguma hora
Eu tenho alguém que me espera

Lisa Santana é Atriz, Professora de Artes Cênicas da PUC/MG e Poeta


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13 Comentários

lisa santana 30 de junho de 2014 - 21:35

Dagmar, minha querida, onde está vc? Saudades.

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Dagmar 30 de junho de 2014 - 04:21

Lindíssimo Lisa Santana, lindíssimo Maya. Que Deus abençoe Dona Clara , os filhos e os filhos dos filhos dela . Saudades de vocês todos.

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Antonio f reis 28 de junho de 2014 - 03:39

Lindo !!!!!!!!! Faco parte disso, com muito orgulho. Saudades dos bons papos com dona clara, saudades eternas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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LIGIA MARIA 25 de junho de 2014 - 23:29

Um punhado de sabedoria a cada etapa neste poema lindo! Tenho os meus pais mais esta sensação da casa vazia já aconteceu comigo e também com muitos outros neste mundo; meu irmão querido já me espera um dia, em um lugar, em alguma hora.Te amo irmão!
Este Poema me fez viajar, obrigada! Gente, recordar também é viver.

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Marisa Cardoso Moreira de Oliveira 25 de junho de 2014 - 19:37

Poesia pura e linda! Gostaria muito de saber poetare colocar no papel tudo que me vai n
o coração!

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lenitamendesmoreira. 25 de junho de 2014 - 16:36

Muito Obrigada pelas palavras,achei muito lindo,muito Obrigada também pela minha cunhada Andréa,você é maravilhosa!!!

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Ime Ribeiro Pinto Teixeira 25 de junho de 2014 - 01:49

É muito bom ter boas lembranças dos nossos antepassados que já se foram. Sao estas lembranças que nos dão forças para continuar nossa jornada

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Maria Berenice Carvalho Castro Souza 25 de junho de 2014 - 00:48

Lindo poema, grande poeta, Lisa.
Nossos pais foram grandes amigos a vida inteira.
Abraço,
Berenice

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Daniel Agrela 25 de junho de 2014 - 00:19

Mas que belo poema. Emocionante.

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Maria 24 de junho de 2014 - 17:46

Lindo poema ! A morte sempre foi um assunto frio e dolorido, mas este poema é tranquilo e cheio de doçura !

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Cláudia Carvalho 24 de junho de 2014 - 16:17

Lindo… lindo!!! Me emocionei lembrando Lisa cantando para tia Clara….. saudades….

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Beto Mateus 24 de junho de 2014 - 16:05

Ai, agora eu já até acho que um pouquinho do tempo volta com uma poesia tão sensível, amorosa, delicada, ingênua, amiga e verdadeira como é a querida Clara de Duca. Salve Clara e sua dedicada vida à família e aos amigos. E me dei a pensar, a felicidade vivida aqui é boa, mas a que deve estar nos esperando, pelas pessoas que aqui conhecemos, nada de ruim deve ser também. Que boas lembranças tive agora, muito agradáveis, como as lembranças devem ser. Beijão Clara, prosa da boa e inteligente.

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nenez 24 de junho de 2014 - 14:43

Linda a foto, bela a poesia e maravilhosas as lembranças , dela e do tempo que não volta mais!

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