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Saudades, Lisa Santana

Por Maya Santana
Quando a minha mãe morreu, Corri a encher as jarras de flores

Quando a minha mãe morreu, Corri a encher as jarras de flores

Quando o meu pai morreu
Apesar de não ser mais tão moça
Me encolhi como uma menina
Me cobri com o manto da
Tristeza
Do vazio
E da dor
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A generosidade
O amor
A saudade
Quando o meu irmão mais velho morreu
Eu fiquei estupefata
Achei a morte ingrata
Por ter convidado para uma dança
Um homem ainda novo
E achei o meu irmão bobo
Por ter aceitado a companhia
A lembrança dele quando me vinha
Me trazia
A reza
A saudade
A sensação da casa vazia
Quando a minha mãe morreu
Eu uma mulher mais que feita
Chorei
Corri a encher as jarras de flores
Cantei pra ela
Tomei chá de folha de laranja da terra
Acendi vela
E dela
Quando a lembrança vem
Me faz pensar que agora
Em algum lugar
Em algum dia
Em alguma hora
Eu tenho alguém que me espera

Lisa Santana é Atriz, Professora de Artes Cênicas da PUC/MG e Poeta

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3 Comentários

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Ana 12 de abril de 2015 - 21:10

Lisa, q versos tão lindos, tão delicados e tão cheios de amor.

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lisa santana 11 de maio de 2016 - 00:14

Beijos, beijos Ana…

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Genoveva 12 de abril de 2015 - 17:39

Apesar das perdas a vida continua e a morte também continua acontecendo…
É assim….
Externamente o vazio, mas dentro de nós as pessoas continuam vivas e é lá que nos recolhemos para estar com ela novamente, só nós dois, nesse diálogo estranho, onde tentamos que nos diga para onde foi, se está bem (sem nossa presença) e se pode assim nos ouvir e quem sabe até nos ajudar a compreender…
Apenas temos esperança de um dia em algum tempo e lugar nos reencontrarmos e assim compreendermos esse grande mistério…

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