“Se não fosse tímido, teria tido uma vida melhor”

Por Maya Santana
Beirando os 80 anos, Woody Allen

Beirando os 80 anos, Woody Allen ainda faz um filme por ano

Você gosta dos filmes de Woody Allen? Mesmo que a sua resposta seja não, vale a pena ler esta entrevista do mago do cinema feita por Joseba Eola para o jornal El País. Ele está perto de completar 80 anos e continua tão ativo como sempre: faz um filme por ano. Já fez 46 filmes, alguns inesquecíveis, como Manhattan; Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Zelig ou Crimes e pecados. “Vivemos em um mundo que não tem sentido nem propósito. Para mim o importante nunca foi quem é o presidente dos Estados Unidos. As perguntas importantes ficam conosco e não têm resposta. Por que estamos aqui? Por que é importante envelhecermos, por que morremos? O que significa a vida? E se não significa nada, de que serve?” – Pergunta ele.

Leia a entrevista:

As piadas, a angústia existencial, a autoanálise, a lucidez. Os pensamentos sombrios, os galanteios, a falta de esperança, o bom humor. O cinema de Woody Allen contém todos esses elementos, Woody Allen se compõe de todos eles, e todos eles aparecem ao longo dessa entrevista realizada em um luxuoso hotel de Paris. Perto de completar 80 anos, o velho Allan Stewart Königsberg, mago da palavra cinematográfica, reverenciado diretor e agudo comediante, autor de filmes deslumbrantes como Manhattan; Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Zelig ou Crimes e pecados, entre muitos outros, aparece fiel a seu encontro anual com a tela grande, um compromisso do qual só se furtou duas vezes desde 1996. Um filme por ano. Sua compulsão para a produção de longas-metragens não tem igual. E assim já se vão 46 filmes atrás da câmera.

Magia ao luar, seu filme mais recente, é a história de um mágico interpretado por Colin Firth que tenta desmascarar uma médium (Emma Stone) na França dos anos vinte, e chega depois de um dos mais aclamados filmes de sua filmografia, Blue Jasmine. Allen se mostra em boa forma durante a entrevista. Ninguém diria que vai fazer 80 anos. Só se incomoda quando é perguntado sobre aacusação de sua filha adotiva Dylan Farrow, que afirma ter sido vítima de abuso sexual quando tinha sete anos. Apesar de o caso ter sido rejeitado em 1993 por falta de provas, Dylan Farrow escreveu em fevereiro passado uma carta ao The New York Times na qual voltava a acusá-lo. Só no que tange essa questão é que Allen se mexe na poltrona, sobrepõe sua argumentação ao enunciado da pergunta e faz todo o possível para evitar a questão.

O homem que sonha com aranhas, segundo confessa, e cujo filme favorito é Ladrão de bicicleta, do mestre De Sica, responde ligeiramente acomodado em uma poltrona do quarto 205 do hotel Le Bristol, no qual mensageiros de quepe recolhem pacotes na recepção como se continuássemos nessa Paris dos anos vinte que tanto fascina Allen. Fala com certa lentidão, lúcido e pessimista. De vez em quando, por trás de suas palavras, emerge seu sorriso de menino travesso.

Por meio do mágico Stanley Crawford, protagonista de seu novo filme, o sr. descreve um homem que quer fugir da realidade para abraçar a magia. O sr. faz isso também? Sim, mas não conseguimos. Nós dois gostaríamos que houvesse algo mágico no universo, na vida, mas, infelizmente, parece que o que se vê é o que existe.

Ou seja, o sr. é tão racional quanto o personagem.

Totalmente.

E o que isso representa em sua vida? Significa que na maior parte do tempo você está deprimido, em vez de estar feliz. É triste a condição de ser humano, de ter de passar por isso…
A que o sr. se refere? Vivemos em um mundo que não tem sentido nem propósito. Somos mortais e todas as perguntas importantes… Para mim o importante nunca foi quem é o presidente dos Estados Unidos, essas questões vão e vêm. As perguntas importantes ficam conosco e não têm resposta. Por que estamos aqui? O que estamos fazendo aqui? Onde isso vai dar? Por que é importante envelhecermos, por que morremos? O que significa a vida? E se não significa nada, de que serve? Essas são as grandes questões que nos deixam loucos, não têm resposta, e é preciso seguir adiante e esquecer-se delas. Clique aqui para ler mais.


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1 Comentários

Ana 7 de novembro de 2014 - 09:51

Aos 80 anos, Wood Allen continua fazendo filmes, ele sabe fazer. Domina as técnicas do cinema. Só que eu acho que os filmes q ele faz hoje são pura enganação.

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