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Segredo da 'melhor idade': não mentir para si mesmo

Por Maya Santana

No passado, era mais fácil envelhecer

No passado, era mais fácil envelhecer


Qualquer um de nós poderia escrever essa crônica de Walcyr Carrasco, publicada esta semana pela revista Época. É que ele fala de um assunto que diz respeito a todos nós, principalmente os que já passaram dos 60 anos: o desejo, consciente ou inconsciente, de parar o tempo, para que não continue fazendo tanto estrago em nosso corpo – e na alma também. Para o autor, “o passado, era mais fácil envelhecer, porque os casamentos duravam, e ex-apaixonados se tornavam companheiros de vida, cuidavam de filhos, netos, sobrinhos. Hoje, um dos dois se cansa dos resmungos conjugais, do mau humor inerente a todo casamento bem-sucedido.”
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Estou farto de ouvir que não importa a idade, e sim o espírito. Há uma grande vantagem após os 60: entrar nas filas preferenciais de aeroportos, bancos etc. Aliás, nem sempre. Muitas dessas filas demoram mais que as comuns, justamente porque os aquinhoados pela tal melhor idade, como eu, às vezes se tornam lentos e confusos, como também já devo estar me tornando. Uma vantagem extra é pegar ônibus gratuitamente, embora muitos motoristas acelerem e passem do ponto, quando contemplam alguém remotamente idoso. Certamente, o espírito conta.
Eu mesmo já escrevi que a gente chega aos 60 com o coração de 18. Mas exagerei um pouco. Numa rave, dá para encontrar um bando de sessentões, ou mais velhos? Existe propaganda de xampu com senhoras além dos 60 – a não ser que seja do tipo que dá brilho a cabelos tingidos? Claro, a idade tem vantagens. A maior delas é a experiência. Que se torna quase inútil quando a gente quer dar o bote em alguém mais jovem. A criatura em questão não procura experiência, mas barriguinha de tanque.
O maior orgulho de quem envelhece é ser confundido com alguém de menor idade. Meu sonho é ser barrado na fila preferencial do aeroporto e ter de mostrar a identidade. Algumas pessoas gentis dizem que não aparento meus 62. Esperançosamente, pergunto:
– Quanto pareço?
– Ah, uns 59.
Nada contra envelhecer. Gostei de chegar à idade que tenho, de viver as experiências que vivi e de ainda ter fôlego para algumas inéditas. Irrita o esforço da sociedade para exaltar a juventude e, em consequência, tentar me convencer de que velhice não existe, que é… como é mesmo? Ah, sim, uma questão de espírito! Amigos que jogavam futebol botam próteses nos joelhos. Um deles teve de trocar até o quadril. Foi passar o Ano-Novo na minha casa da praia. Quis pular as sete ondinhas. Ele foi também. Ainda aconselhei:
– Cuidado, você acaba de operar a perna.
– Tá tudo bem – respondeu, corajosamente.
Pulou as ondinhas, e a outra perna estropiou-se. Agora precisa operar também. Se tivesse 20 anos, isso teria acontecido?
No passado, era mais fácil envelhecer, porque os casamentos duravam, e ex-apaixonados se tornavam companheiros de vida, cuidavam de filhos, netos, sobrinhos. Hoje, um dos dois se cansa dos resmungos conjugais, do mau humor inerente a todo casamento bem-sucedido. Separam-se e voltam ao mercado. Se isso aconteceu com você ou alguém próximo, é preciso ter em mente que só terá sucesso como fetiche. Não é qualquer um que se interessará por sua figura fora de forma. Só alguém com fetiche em quem tem mais idade. Para sorte do povo geriátrico, há garotões loucos por mulheres mais velhas, beldades de 20 anos apaixonadas por sessentões – ou pelo barco deles, mas, a certa altura da vida, é melhor fechar os olhos e ser um pouco cínico. Clique aqui para ler mais.

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0 Comentários

yvone pereira 15 de agosto de 2016 - 23:32

Nada contra a nova ordem da perfeição plástica, da tecnologia que prolonga e melhora as condições de vida. Mas um pouco de dignidade, bom senso e discrição não fazem mal a ninguém. Por isso que é importante se permitir e se gostar do jeito que se é. Ser feliz ainda é um estado de espírito e não há nada pior do que viver uma vida de engano, fingida e superficial. Não quero esconder minhas preocupações e muito menos meus sorrisos. Espero enfrentar a velhice que se aproxima de cara limpa.

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aparecida amaral melo ferreira 15 de agosto de 2016 - 18:27

eu tenho 63 anos tenho algumas linhas de expreçoes profunda na testa que me encomoda muito ja usei varios cremes anti rugas mas ate agora nao adiantou nada ja vi que a unica soluçao e fazer um preenchimento estou me sentindo muita baixa estima por isso gostaria de de saber quanto custa pra fazer esse prenchimento para livrar de uma vez destas linhas de expreçao da minha testa

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