Será que estou em crise, como Jane Fonda?

Por Maya Santana
A jornalista Beatriz Alessi com a filha mimosa, Sofia

A jornalista Beatriz Alessi com a mimosa Sofia, sua filha

Beatriz Alessi

Outro dia, me deparei com um relato franco e emocionante de uma das mulheres mais marcantes da nossa era. Aos setenta e seis anos, a atriz, ativista e guru da terceira idade, Jane Fonda, confessou em seu blog que anda chorando à toa. Qualquer situação leva a eterna Barbarella às lágrimas: chá de bebê, crianças abandonadas, ursos polares, fotos de elefantes, notícia boa, notícia ruim… Jane diz que a família Fonda sempre foi boa de choro – até um bom bife era motivo! E por que chora Jane? Por todo o tempo que deixou para trás e pelo pouco que lhe resta. Confrontada com a própria finitude, ela diz estar com os olhos mais abertos às pequenas e belas coisas da vida.

Ao ler o relato de Jane, me peguei com saudades dos tempos em que eu era uma manteiga derretida. Até perto dos meus quarenta anos, chorava compulsivamente por qualquer coisa. De tão frequente, o ato de chorar, para mim, era quase um programa. Até ao volante eu me debulhava em lágrimas! Chorava de desespero, de frustração, de alegria, de medo e depois dava boas risadas enxugando as lágrimas. Eu mesma achava aquilo tragicômico! Quando, afinal, senti os primeiros abalos sísmicos da vida, as lágrimas foram secando, como que por encanto. Aprumei, para encontrar forças dentro de mim.

Hoje, na meia-idade, confesso que sinto falta daquele ato de descarrego. Embora Jane Fonda esteja mais de vinte anos à minha frente, como ela, talvez eu também esteja um pouco em crise. Envelhecer não é fácil, principalmente para a mulher – e o rosto “congelado” da ex-beldade de Hollywood, Kim Novak, na festa do Oscar, é prova contundente disso. Como lidar com as transformações físicas e emocionais da maturidade, sem o consolo das lágrimas que me serviam de bálsamo?

Jane me deu um alento. Elas hão de voltar. Talvez, daqui a alguns anos, eu esteja chorando até em filme de cachorro, como antigamente. Pelo sim, pelo não, por ora vou fazer como Jane Fonda: caprichar no rímel à prova d’água e deixar a vida me levar.

* Beatriz Alessi é jornalista e trabalha para o Portal Tempo de Mulher 


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1 Comentários

Antônio 10 de março de 2014 - 15:59

Belíssimo texto!

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