Sexo na terceira idade é bom, mas sem pressões

Por Maya Santana
Padrão sexual da juventude não precisa ser imitado na velhice

Padrão sexual da juventude não precisa ser imitado na velhice

O avanço da medicina e a maior liberação sexual vêm ajudando a quebrar tabus  sobre a sexualidade de idosos. Mas o que especialistas alertam é que o padrão  sexual da juventude não precisa ser imitado na velhice.

— Às vezes recebo casais no meu consultório constrangidos porque não praticam  sexo e querem saber se tem algo de errado com eles. Eu explico que não — garante  o urologista Celso Gromatzky, do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital  Sírio-Libanês. — A sociedade aprendeu, equivocadamente, a associar sexo à  qualidade de vida, e a ausência de sexo a uma disfunção.

A atividade sexual naturalmente diminui com o envelhecimento. O estudo  Mosaico Brasil, realizado pelo Projeto Sexualidade da Universidade de São Paulo  (USP), mostra que, na faixa entre 18 e 25 anos, 90,4% dos homens e 83,3% têm  vida sexual ativa. Este índice diminui progressivamente com o passar do tempo, e  para aqueles acima dos 61 anos, o número é de 87,1% dos homens e 51,2% das  mulheres.

Isto, segundo Gromatzky, tem, sem dúvida, relação com o estado de saúde e o  comportamento do idoso. Mas o urologista acredita que não é raro que o sexo  deixe de se tornar prioritário:

— A medicina avançou o suficiente para ajudar casais que querem manter a  atividade sexual na velhice. Mas há aqueles que vivem bem, felizes, sem isso.  Geralmente porque estabeleceram outras prioridades, como cuidar do neto, ler,  etc. Cabe ao médico perceber se isto é realmente um desejo do casal, se não há  nada por trás, como um problema físico ou psicológico. E assim sendo, respeitar  essa decisão.

Uma pesquisa da Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUC-RS mostra que o  interesse por sexo é modesto na velhice. Com base em entrevistas realizadas com  1.078 idosos, o sexo foi considerado “muito importante” por apenas 16,6% dos  homens e 7% das mulheres; e “pouco importante” por 30,3% dos homens e 47,9% das  mulheres. Além disso, 41,9% dos idosos manifestaram preferência por carinhos e  toques como uma forma de demonstração da sexualidade.

— O que está bastante documentado na literatura médica é a importância do  afeto nas relações. Pessoas solitárias vivem menos, mas isto não significa ter  que praticar o ato sexual. Há uma série de outras formas de expressar a  sexualidade e o amor pelo parceiro — complementa Gromatzky.

A disfunção erétil é uma das principais dificuldades da vida sexual do homem  idoso. Quanto às mulheres, a menopausa traz redução da libido, secura vaginal e  mudanças no aspecto físico, como aumento da flacidez e deposição de gordura, as  quais podem afetar a autoestima. A reposição hormonal e uso de cremes vaginais  para diminuir o desconforto durante a relação, no caso da mulher, e o de  medicamentos, no do homem, são alguns dos conselhos. (Fonte: O Globo)

 


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