Dráuzio Varella: Só mulheres acompanham doentes internados

Por Maya Santana

“Se você só tem filhos homens, reza para morrer antes de sua esposa.”

Maya Santana, 50emais

Mais um artigo extremamente interessante do Dr. Dráuzio Varela. Dessa vez, fala da ausência do homem quando se trata da difícil função de acompanhante de pessoas doentes. Neste artigo, publicado pela Folha de São Paulo, o médico comenta como é diferente o papel reservado ao homem e à mulher na hora de cuidar de seus doentes. “No afã de proteger o filhinho, as mães procuram mantê-lo distante de tudo que lhe possa trazer tristeza. Tão naturais e inevitáveis como o dia e a noite, a doença e a morte são entendidas por elas como experiências extremas das quais o pimpolho deve ser poupado. Estranhamente, a filha não é educada da mesma maneira”, diz Dr. Dráuzio.

Leia o artigo:

Se você só tem filhos homens, não tem mãe nem irmãs, reza para morrer antes de sua esposa. Se acontecer o contrário, meu amigo, é provável que seus últimos dias sejam passados com estranhos. Vá aos hospitais. A probabilidade de ver um acompanhante do sexo masculino é mínima; ao lado de um doente internado, haverá sempre uma mulher, seja filha, esposa, irmã, mãe, nora ou amiga.

Sem pretender ofendê-lo, leitor sensível, capaz de cair em pranto convulsivo só de pensar no dia em que seus pais partirem, lamento prever que, ao ficar gravemente enfermos, eles pouco poderão contar com você. Não me interprete mal, não digo que vá abandoná-los num leito qualquer, à espera da morte. Você irá visitá-los quase todos os dias, na hora do almoço. Perguntará se estão bem, se precisam de alguma coisa, se as dores melhoraram, tomará providências práticas, mas infelizmente precisará voltar para o escritório.

Em dias mais corridos, você deixará para ir no fim do expediente. Pedirá desculpas pelos três dias de ausência motivada pelo excesso de trabalho, repetirá as mesmas perguntas, reclamará do tempo perdido no trânsito, sentará no sofá durante quinze minutos, dirá que está exausto, morto de fome e que as crianças o esperam para o jantar.

Pode ser que você não se identifique com o personagem que acabo de descrever. Talvez você seja do tipo ultrassensível, que gosta tanto do papai, que se mortifica ao vê-lo naquele estado, e que, na hora de visitá-lo, não encontra forças. Aquele que não vai à casa da mamãe velhinha que perdeu o juízo, para não ter o coração despedaçado cada vez que ela o confunde com o verdureiro.

Talvez, ainda, você seja do tipo durão, acostumado a agarrar o boi pelos chifres. Nas visitas-relâmpago, você fará o possível para animá-lo. Insistirá em que é preciso reagir, que esmorecer é desmerecer, que o pessimismo é metade do caminho para a sepultura, além de outras pérolas retiradas dos calendários seichonoiê. Irá embora irritado, decepcionado com a passividade do progenitor, convencido de que ele se acha naquela situação porque é – e sempre foi – antes de tudo um fraco. Clique aqui para ler mais.


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3 Comentários

Ana Paula 10 de dezembro de 2017 - 00:20

Sinceramente, sou obrigada a discordar. Nesses ultimos 2 anos tenho vivenciado a situaçao oposta. Ano passado meu pai adoeceu e quem mais passou tempo com ele no hospital foi meu irmao. Esse ano, meu sogro passou por uma cirurgia cardiaca complicada e, em 90% dos dias, quem ficou com ele foi meu marido.. Tenho uma tia acamada, que, quando vai parar no hospital, quen revesa comigo sao 2 primos. Entao, acredito que essa minoria teve o seu papel de destaque na contramao dessa pesquisa. Agradeço a Deus, por esses homens na minha familia.

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Nenez 28 de julho de 2017 - 20:37

É fácil constatar esta verdade.Infelizmente.

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Elza Cataldo 16 de julho de 2014 - 09:59

Que matéria interessante, Maya. Mais uma vez o Dráuzio Varela nos demonstra sua sensibilidade e competência. Para nós, que já acompanhamos doentes, suas palavras são tristemente verdadeiras.

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