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Somos Todas Valentinas

Por Maya Santana

Valentina, 12, participando do programa de culinária da TV Bandeirantes

Valentina, 12, participando do programa de culinária da TV Bandeirantes

Tomando como ponto de partida o inominável caso do assédio sexual à pequena Valentina, a jornalista Ruth Aquino, da revista Época, faz um relato pungente da situação que a mulher ainda enfrenta, em pleno século 21,convivendo numa sociedade essencialmente patriarcal,injusta.

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Valente Valentina, o assédio sexual e cretino a sua beleza, nas redes sociais, não pode fazer tremer suas mãos quando você criar novos pratos no MasterChef Júnior. Aos 12 anos, você, sem querer, apenas por ser linda e charmosa, despertou tarados que estão por aí, escondidos na pele de filhos, maridos e pais normais. Pedófilos e potenciais estupradores se expuseram no Twitter, protegidos ou não por apelidos. Assustaram seu pai, Alexandre. Ele estava preparado para o encantamento que você espalha, não para sujeira. “Teve gente que pediu que ela mandasse foto nua”, disse. Ele apagou tuítes ofensivos. Ele tenta proteger você, Valentina, da malícia do mundo.

A aspirante a melhor cozinheira mirim do Brasil

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Menina, uma hora você saberá que, por um tempo, uniu o gênero feminino em torno de seu nome. Valentina, você não é vítima. Não somos vítimas por ser mulheres. Você aprenderá que o feminismo ainda é necessário no século XXI. Para defender nossa autodeterminação e autoestima, nossos direitos e escolhas, numa sociedade ainda patriarcal. Não adianta omitir seu nome, nem cortar seus cabelos ou cobrir seu corpo de cima a baixo com roupas pouco atraentes. Você perceberá que a menina-moça-mulher continua a ser discriminada em vários momentos da vida e tem de reagir.

Ainda vai encarar muitas brigas, Valentina. Já devem mexer com você na rua quando sai sozinha. Na sua idade e muito depois, meus sentimentos variavam entre o medo e o desafio. Mudava de calçada quando via grupos de rapazes, para evitar o assédio, o desconforto ou a humilhação. Às vezes, xingava alto quem me dizia coisas, quem insinuava convites ou mexia no meu cabelo e pegava meu braço, para denunciá-lo, para expor meu nojo e sua doença.

É impressionante como, depois de tanta luta, desde o direito a votar, ou a usar calças compridas, ou a desamarrar o espartilho, ou a controlar a fertilidade, ou a trabalhar… é impressionante como a menina-moça-mulher ainda é intimidada ou ameaçada. Nem falo de países que obrigam meninas a casar com estranhos ou matam a chibatadas mulheres que traem. Acho incrível que os direitos femininos continuem em questão. Direito de ser bonita, de ser sensual, de usar saia curta, direito de ser feia, de ser velha, direito de não casar, direito de se dedicar aos filhos e à casa, direito de não ser mãe, de amamentar ou não, de insistir em parto normal ou escolher cesárea, direito de abortar, direito de transar com muitos, direito ao prazer, direito de pintar os cabelos ou deixá-los brancos, direito de ser ambiciosa ou não, direito de ganhar bem e ser promovida, direito de não ser assediada por chefes. Clique aqui para ler mais.

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1 Comentários

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MÁRIO SÉRGIO RODRIGUES 25 de outubro de 2015 - 01:09

É realmente lamentável que isso continue acontecendo. Basta alguém despontar na mídia para que a inveja prevaleça.
Gostaria de saber se fossem com as filhas ou mães destes hipócritas, cretinos, recalcados, frustados e machistas. Qual seria a atitude deles.
Este pessoal que não tem o que fazer deveriam assistir o programa e parabenizar a esses pequenos futuros chef’s de cozinha e pelo menos aprenderem alguma coisa. Como por exemplo habilidades manuais, inspiração, controle da mente, etc.
Mas acho que não são capazes para tal proeza.
Na realidade deveriam ficar assistindo programas como BBB, a Fazenda, Casos de família ou pior ainda o programa do João Cleber, que de um excelente humorista passou a apresentar este lixo de programa sem contar outros que tem na tv.
Fica aqui a minha indignação e o meu apoio aos participantes do MasterChef Junior
E que todos possam adquirir muita experiência com o programa.

Bravos, Bravíssimos

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