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Somos todos reféns da intolerância

Por Maya Santana

"Já sabíamos que nós, os brasileiros, somos intolerantes"

“Já sabíamos que nós, os brasileiros, somos intolerantes”

Esse artigo, assinado pelo escritor Luiz Rufatto e publicado na edição eletrônica do jornal El País, chama à reflexão todos nós sobre o quanto o Brasil é intolerante, preconceituoso, como sociedade, em relação ao negro e ao homossexual. O escritor parte do episódio envolvendo o goleiro do Grêmio, Aranha, chamado de macaco por um grupo de torcedores do clube gaúcho, para criticar com dureza a “preconceituosa” sociedade brasileira.

Leia o artigo:

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar do Fussball-Club Sankt Pauli, de Hamburgo. O time, fundado em 1910, disputa a segunda divisão da Bundesliga e apenas eventualmente frequentou a primeira. Ainda assim, conta com 11 milhões de torcedores na Alemanha e tem mais de 500 fãs-clubes espalhados pelo mundo. Entre seus inúmeros simpatizantes anônimos, encontro-me eu, que acompanho entusiasmado sua trajetória, desde este meu refúgio na zona oeste de São Paulo.

Na semana passada, alguns torcedores do Grêmio, de Porto Alegre, reincidiram como protagonistas de um dos episódios mais lamentáveis da história recente do Brasil. Indignados com o fato de o time ter sido justamente punido com a exclusão da Copa do Brasil, por causa das manifestações racistas contra o goleiro Aranha, resolveram agredir novamente o jogador do Santos chamando-o, desta vez, de veado. O raciocínio, de puro deboche, era: já que ofendê-lo de macaco configuraria crime de injúria racial, espezinhá-lo como veado não estaria incorrendo em nenhuma transgressão da lei.

Infelizmente, os torcedores gremistas que reagiram desta maneira representam o pensamento médio da população brasileira, que não só está habituada a tratar os negros como cidadãos de segunda classe, e portanto se revoltam quando se veem acusados de racistas, como também estão acostumados a não respeitar a orientação sexual do outro, e por consequência não veem qualquer problema em agir com discriminação. A cor da pele diferencia as pessoas, mas não entre melhores ou piores, mais capazes e menos capazes, mas entre aqueles que chegaram ao Brasil por opção e os que aqui aportaram à força, como mão de obra escrava. Já a orientação sexual tem um cunho pessoal e não cabe a ninguém julgá-la e menos ainda condená-la.

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Acossados por religiosos de várias denominações – e pela hipocrisia que conforma o nosso caráter – nenhum dos candidatos com chances de vencer as eleições presidenciais, Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (PSB) ou a presidenta Dilma Rousseff (PT), defendem, por exemplo, mudanças na legislação para garantir direitos básicos aos casais homossexuais. Assim como batemos no peito para dizer que vivemos numa democracia racial, gostamos de lembrar da Parada Gay que reúne cerca de 3 milhões de pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, como símbolo da nossa condescendência – no entanto, embora não haja estatísticas oficiais, em 2013 foram contabilizados cerca de 300 mortos no Brasil, vítimas de homofobia. Clique aqui para ler mais.

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