Sonia Braga e Robert Redford (1936 – 2025) no lançamento de ‘Rebelião em Milagro’ em 1988 (Ron Galella, Ltd./Getty Images)
50emais
Um texto delicado e discreto escrito pela atriz Sônia Braga, 75, e divulgado nas redes sociais, na semana passada, sobre seu relacionamento com o ator e diretor americano Robert Redford, morto em 16 de setembro, enquanto dormia, em sua casa, em Sundance, nos Estados Unidos, aos 89 anos.
No final da década de 1980, os dois mantiveram um romance que durou três anos. Eles começaram a se relacionar durante as filmagens de “Rebelião em Milagro” (1988), filme dirigido por ele, no qual contracenaram. Ela interpretou Ruby Archuleta.
“Quando Milagro estreou, fomos juntos a Cannes. Eu iá estivera lá duas vezes, mas nada se comparava aquele momento – não apenas como atriz, mas também como ser humano. Lembro que ele havia acabado de voltar de uma viagem à Rússia e trouxe de lá um buquê de flores selvagens para mim,” relembra ela.
Leia o que Sônia Braga escreveu:
“Fiz meu primeiro longa nos Estados Unidos a convite do Robert Redford. E, por conta do filme, ele me apresentou um dos lugares mais lindos do mundo: Novo México.
Milagro era uma história belíssima, porém eu não falava inglês. Foi então que uma pessoa muito importante na minha vida, a dialect coach Carla Meyers, veio da Califórnia especialmente para me ensinar palavra por palavra. Minha querida amiga até hoje.
Ser dirigida por Redford foi uma experiência única. Ruby, minha personagem, era uma mulher fascinante. Robert, por sua vez, tinha uma beleza serena, inquieta e uma intensidade rara no olhar. Ele sempre buscava mergulhar na alma dos atores em cada cena, perseguindo o instante perfeito.
Uma das sequências foi filmada na chamada “hora mágica” em cinema, que dura apenas alguns minutos na hora do por do sol. Nós a refizemos em vários dias, porque ele acreditava que a atuação não estava como deveria.
Entre as filmagens, conversávamos sobre tudo: a vida, as flores, os lugares. Ele queria saber muito sobre o Brasil. Robert amava flores.
Foi ele quem me levou a conhecer Sundance, para onde voltei muitas vezes e pudemos fazer longas caminhadas juntos. Sempre regressávamos com um buquê de flores selvagens, colhido pelo caminho.
Quando Milagro estreou, fomos juntos a Cannes. Eu iá estivera lá duas vezes, mas nada se comparava aquele momento – não apenas como atriz, mas também como ser humano.
Lembro que ele havia acabado de voltar de uma viagem à Rússia e trouxe de lá um buquê de flores selvagens para mim. O amor pela natureza era um elo profundo entre nós.
Já fazia muitos anos que não nos víamos. Mas, às vezes, ao caminhar por NY e fotografar minhas pequenas flores, um hobby meu, me vêm lembranças perfeitas: uma caminhada tranquila, uma flor rara, o cheiro da terra.
A natureza é isso: linda, poderosa, capaz de nos aproximar. E talvez seja exatamente nisso que devêssemos pensar no mundo conturbado de hoje: nas coisas que nos unem, muito mais do que nas que nos separam.”