
Miriam Moura
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A palavra souvenir remete a lojinhas em pontos turísticos, atulhadas com pequenos objetos que turistas compram apressados, junto com garrafinhas de água mineral. Quanto mais famoso o local de turismo, mais lojas desse tipo serão encontradas, uma ao lado da outra. Em capitais da Europa, também são comuns nos centros históricos, perto de restaurantes igualmente focados em atrair turistas.
Hoje quero falar sobre um sentido mais amigável e afetuoso desses presentinhos-lembranças que você compra em viagens. Vamos começar pela origem da palavra. De acordo com o Dicionário Oxford, a palavra souvenir vem do francês antigo, por volta de 1.100 d.C., e apareceu originalmente como suvenir, também a forma aportuguesada atual.
A palavra suvenir, à época, era usada como substantivo para significar “(algo), na memória de alguém”. Como verbo, o significado era “recordar”. Esse é o sentido que vamos adotar na coluna de hoje. Vamos pensar em souvenir como aquela lembrancinha de alguém por quem temos afeto. Um símbolo de que lembramos da pessoa querida durante a viagem, por mais agitada que seja.
Hoje, quando mal se tem tempo de responder a uma mensagem (DM) nas mídias sociais, entrar em uma dessas lojinhas para garimpar uma lembrancinha simpática é um ato de afeto, de dar uma pausa na correria do tempo para pensar em um agrado para alguém de quem gostamos e queremos demonstrar gentileza. É algo concreto, físico, que vai durar mais do que uma resposta apressada com algum emoji de carinha ou coração.

Nas minhas viagens tenho procurado exercer essa arte e tentar criar algum método que resulte em agrado para o destinatário da lembrancinha, uma prova de que lhe dedico um grande afeto mesmo que o souvenir seja pequeno no tamanho (para caber na mala …)
Esta semana, o jornal britânico Financial Times tratou do tema com uma matéria superinteressante sobre as melhores lojas de souvenir, escolhidas pelos leitores. Na simpática lista está “A vida portuguesa”, em Lisboa e Porto, uma loja muito cultuada por brasileiros na terrinha. “Aqui você encontra toda a gama de artesanato tradicional, objetos de design sutis e atemporais, comestíveis, roupas, têxteis e cartazes”, na descrição fidedigna. A loja é tudo isso e, como disse o leitor que a indicou ao FT, “não parece uma loja de souvenir, prova de que o turismo não precisa ser sórdido”.
A relação de estabelecimentos do tipo inclui alguns endereços e marcas como “The Fife Arms”, na Escócia; a GiftShop e a Charvet, em Paris, uma loja de camisas femininas feitas sob medida, e a (maravilhosa!) loja do museu Victoria&Albert, em Londres. Há ainda uma indicação da loja Drake’s para comprar gravatas de seda na Saville Raw, em Londres, endereço icônico e tradicional rua conhecida como o quarteirão de ouro da alfaiataria.
A lista do Financial Times é de vários endereços cult, escolhidos por leitores que gostam de viajar, mas meu intuito hoje é convidar vocês a olhar lojas de souvenir com uma lente mais empática, pensando mais nas pessoas queridas e no momento de extrair um sorriso afetuoso quando entregar a prova de que lembrou delas. É um convite para se elevar o status de souvenir em viagens, e ainda criar a expectativa em seus amigos (as) de uma boa surpresa.

No Brasil as lojas mais procuradas para comprar souvenirs variam de cidade para cidades. Em capitais do Nordeste e de outras regiões, há lojas, feiras e centros de artesanato muito procuradas, São ótimas opções para presentear amigos. Em Brasília tem uma loja muito apreciada, a BSB Memo, com suvenirs criativos sobre a maneira de viver na cidade, com itens de decoração imitando placas de trânsito brasilienses.
Procurei dados sobre esse tema no Google e na inteligência artificial e não encontrei. “Dados globais específicos sobre vendas de souvenirs não estão totalmente disponíveis”, respondeu educadamente a IA (risos), mas informou que o mercado de novidades e lembranças está projetado para atingir US$ 129,9 bilhões até 2033, com crescimento contínuo em 2025, impulsionado pelo aumento do turismo.
Segundo a Embratur, entre janeiro e julho deste ano, houve um acréscimo de 47,5% no número de estrangeiros no Brasil, com destaque para a participação em feiras e eventos turísticos. A resposta veio em tom elegante, com a informação que cada vez mais os viajantes valorizam a conexão com a cultura e as comunidades locais, “impulsionando a procura por produtos autênticos e que representam a identidade dos destinos visitados”.
Ao escrever a coluna, lembrei do poema de Carlos Drummond de Andrade, “Procura-se um amigo. / Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir”.
E ousaria pedir licença ao poeta para acrescentar, gaiatamente, “e que também goste de ganhar presentinhos de viagens”.

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