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Talento e tragédia tornaram Piaf a diva da ‘chanson’ francesa

Por Maya Santana

A cantora teve uma existência trágica: "Minha vida foi um absurdo", escreveu ela

A cantora faria 100 anos neste sábado, 19 de dezembro: “Minha vida foi um absurdo”, escreveu ela

Fabio Ponso. O Globo –

“Quando eu penso em minha vida, sinto vergonha de mim mesma. Quando revejo esta mulher pequenina, que atravessa a noite com sua solidão e seu tédio, penso que fui, algumas vezes, injusta e má. Eu fui também temperamental, colérica e autoritária. A todos peço perdão. Minha vida foi absurda”.

As confissões de Piaf, publicadas na edição do GLOBO de 21 de outubro de 1963, traduzem a sua complexa personalidade e espelham uma biografia marcada pela dramaticidade e pela tragédia. Desde o seu nascimento, no meio da rua, em plena madrugada, segundo uma versão (ou no Hospital Tenon, conforme sua certidão de nascimento), a artista precisou enfrentar sucessivos desafios para chegar a consolidar seu nome como ícone da chanson francesa e uma das maiores vozes do século XX.

Edith Giovanna Gassion nasceu em 19 de dezembro de 1915, no distrito de Belleville, em Paris, e teve uma infância pobre, incerta e solitária. Sua mãe era cantora de cabarés e seu pai, acrobata de rua, o que os levou a delegar a criação da menina às avós — uma delas dirigia um bordel na Normandia. Aos 7 anos, ela perdeu temporariamente a visão, mas a cura ocorreu espontaneamente. Em 1922, convencido por um religioso local, seu pai passou a levá-la aos trabalhos itinerantes que realizava.

Aos 15 anos, Edith abandonou o pai para obter seu sustento cantando nas ruas de Paris. Um ano depois, iniciou um romance com um entregador, e desta relação teve Marcelle, única filha que morreu aos 2 anos, vítima de meningite. Sua carreira artística foi impulsionada por Louis Leplée, dono do cabaré Le Gerny’s, que a descobriu cantando nas ruas. Foi ele quem ensinou-lhe as técnicas de palco, sugeriu-lhe a adoção de figurinos preto e batizou-a de La Môme Piaf, expressão que significa pequeno pardal, numa referência à sua baixa estatura (1,47 m).

Em 1936, a cantora gravou o seu primeiro disco pela gravadora Polydor, com boa aceitação de mercado e de crítica. No entanto, após uma infundada suspeita de seu envolvimento como cúmplice no assassinato de Leplée, Piaf teve sua carreira abalada. Para reerguer sua imagem, procurou o compositor Raymond Asso, que assumiu o papel de seu novo mentor, rebatizou-a Edith Piaf e em pouco tempo tornou-se grande vedete do cenário musical francês, idolatrada pelo público. No início dos anos 1940, Piaf recebeu convites do teatro e do cinema, aprendeu normas de etiqueta social e se transformou de moleca de rua em queridinha da elite intelectual francesa.

Mesmo durante a ocupação alemã na França, na Segunda Guerra Mundial, Piaf não interrompeu sua carreira e sua voz ecoava pelo rádio, confortando os franceses. Em 1944, Piaf conheceu o cantor Yves Montand, seis anos mais jovem, tornando-se sua amante e mentora. No ano seguinte, escreveu “La vie en rose”, um de seus maiores clássicos.
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