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Tarot da Semana: Cutucando a onça com vara curta

Por Maya Santana

cutucar com vara curta

Quantas vezes cutucamos o Mal com vara curta?

Alexandre Moreira, Tarólogo

Na medicina forense vitimologia é o estudo da vítima, aquele ou aquela contra o/a é perpetrado o ato criminoso, em seus diversos aspectos. Essa ciência estuda o como e porque algumas pessoas podem se tornar vítimas, por exemplo, de furto, de assassinato, de estupro, de acidentes de trânsito ou naturais e, até mesmo, abuso de poder. Um dos aspectos dos estudos da vitimologia é o quanto de participação no ato criminoso, ou seja, por exemplo: saio à noite caminhando por uma rua semi deserta e conversando ao celular quando sou surpreendido por um ladrão que, na melhor das hipóteses, apenas o rouba. É um quadro bastante comum dentro da violência urbana que vivenciamos em nosso dia a dia.

Como no exemplo dado, poderíamos deduzir que eu (a vítima do roubo), ainda que inconscientemente, tive uma parcela de colaboração no crime pois sei, por leituras, depoimentos de amigos, por assistir à televisão, etc que é perigoso (convidativo) esse tipo de comportamento (andar com o celular nas mãos em lugares mais ermos, especialmente à noite). Ainda que isso não justifique, em hipótese alguma o ato criminoso, faz da minha displicência um fator colaborativo para ação do ladrão, do criminoso.

No tarot, a carta do Diabo, Arcano Maior de número XV, também pode ser compreendida como o ato de fazermos escolhas, opções, adotarmos comportamentos e atitudes, das quais acabamos por muito nos arrepender. Se o Diabo representa a tentação, o desejo de arriscar, de infringir, de correr o risco, ele acaba também representando forças destrutivas, negativas, condenáveis que existem em todos os indivíduos e que as controlamos com maior ou menor sabedoria. Quando arrisco uma ultrapassagem na estrada em local não permitido, estou assumindo um risco muito provável de acidente. Se eu deixar para estudar às vésperas do exame, provavelmente irei fracassar nele. Se eu decidir discutir com o fulano que cometeu um erro no trânsito, arrisco-me a ser agredido. Se eu optar por jogar a ponta do meu cigarro pela janela do carro contando com que ela se apague porque já está no final, posso acabar provocando um incêndio de proporções devastadoras. Se eu me sentir motivado a experimentar a mais nova droga sintética em moda, o risco de consequências graves também está considerado visto que não sou ignorante sobre possibilidades e consequências do uso desses elementos químicos.

“Cutucar a onça com vara curta” é um dito popular bastante antigo e até fora de moda mas que muito bem reflete a mensagem que a figura do Diabo nas cartas do tarot representa em nossas vidas: fazer uma escolha que, em princípio, já sabemos que não é a mais legal, nem a mais ética ou mais apropriada, talvez seja a mais questionável, ou mesmo, aquela a que dedicamos menos atenção, mesmo sabendo que as consequência têm grande possibilidade de serem funestas para nós mesmos. O que o tarot nos aconselha, quando temos entre as cartas a figura do Diabo, a revisarmos o quanto há de participação, ativa ou passiva, consciente ou não, voluntária ou não, daquele que está na condição de vítima. É sempre bom refletirmos a respeito das nossas escolhas mais corriqueiras e repensarmos aquelas mais imprudentes. Podemos nos surpreender, e muito, com quantas vezes cutucamos o Mal com vara curta.

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