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Tarot: Era tão, tão pobre que só tinha dinheiro

Por Maya Santana
O quanto estamos dispostos a ajudar o semelhante

O quanto estamos dispostos a ajudar o semelhante?

Alexandre Moreira, Tarólogo

Há um princípio muitas vezes mencionado em livros, palestras e sites sobre a Cabala que diz algo muito próximo a isto: a água, contida num vaso (copo, vasilha, container, etc), que não se movimenta, que não flui, que fica inerte, acaba por apodrecer e dela não se fará uso.

A metáfora é excelente para refletirmos sobre o quanto estamos dispostos a ajudar o semelhante a partir daquilo que possuímos. E nesse possuir não se incluem apenas as riquezas físicas, os bens materiais, os objetos que facilitam e dão conforto e segurança à nossa vida, mas, também, a nossa experiência, o nosso conhecimento, paciência, tolerância, empatia, amor incondicional e espontânea disponibilidade.

Ouros é um dos 4 naipes do tarot e o que se identifica com a nossa experiência física, material. Fala de dinheiro, de imóveis, de objetos e aparelhos, da saúde física e do próprio corpo. Fala, então, das condições básicas de sobrevivência e relacionamento físico entre os indivíduos. No tarot, a carta dos Arcanos Menores que melhor representa a situação proposta pelo pensamento cabalístico citado, é o 6 de Ouros, cuja representação gráfica (quase sempre) apela para imagens que sugerem a caridade, o compartilhamento de algum bem material.

Entretanto, quando esta carta aparece numa tiragem de tarot, há que se considerar não apenas a sugestão de “você receberá ajuda de…”, mas também a possibilidade de que estamos em condições de oferecer algum tipo de ajuda a alguém, seja esse “alguém” uma entidade filantrópica ou um estranho que nos pede dinheiro para comprar um pão. A ideia, aqui, é fazer circular, movimentar, proporcionar a troca, o intercâmbio e a renovação das muitas benesses que possuímos. É “deixar transbordar a água do vaso”, favorecendo assim que o Universo, em sua sabedoria e na manutenção do equilíbrio natural a que todas as coisas estão sujeitas, reponha e preencha o “vaso”. Simples assim.
“É dando que se recebe” pertence àquelas frases que são usadas das maneiras mais jocosas possíveis, mas que encerram em si uma grande verdade: é quando nos abrimos ao outro, quando nos permitimos compartilhar da sua alegria e da sua dor, quando nos habilitamos a ajudar ou colaborar, que a mudança mais evidente acontece, e é em nós mesmos! Somos nós, os que se voluntariaram a servir o outro sem esperar nada em troca, sem pensar em nenhuma forma de cobrança futura, sem pretender nenhum tipo de reconhecimento ou distinção, os que acabam por obter os maiores e mais permanentes benefícios, isso porque estamos deixando fluir, através da nossa pessoa, do nosso físico e das nossas ações, a grande energia que rege o Universo.

Saber-se útil, ser portador de alguma felicidade, de algum conforto que interfira positivamente na vida do semelhante, nos faz relembrar e nos conscientizar do efêmero que é a vida terrena, estimulando uma maior reflexão sobre a importância do sentimento de fraternidade que deveria existir entre todos os seres humanos sem exceção, e redimensiona a questão do quão ricos somos, ainda que muito pouco possamos possuir materialmente.

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