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Tarot da Semana: O trabalho como realização

Por Maya Santana
Trabando na construção de um mundo melhor

Trabando na construção de um mundo melhor

Alexandre Moreira, Tarólogo

Se as cartas do tarot são repletas de simbolismos, de significados até mesmo contraditórios, que se transformam num verdadeiro alfabeto nas mãos do leitor competente e inspirado, as chamadas Cartas de Corte quase sempre se referem a personagens reais, a gente comum, de carne e osso e não somente arquétipos. São elas o Valete, o Cavaleiro, a Rainha e o Rei, ou seja, uma a mais (Cavaleiro) que no baralho comum, também chamado de Espanhol.

Escrevo esta postagem no feriado do Dia do Trabalho e não posso deixar de relacionar o labor diário, aquele que nos faz sentir úteis, necessários, importantes colaboradores do sistema de produção de bens materiais e imateriais, com algumas cartas deste tão antigo oráculo. Mas, tendo que escolher uma, e atento à minha intuição, darei hoje preferência à Rainha de Ouros, o aspecto exaltado, produtivo, gerador, feminino do naipe de Ouros, ou seja, dos aspectos materiais da nossa vida terrena. Todos temos experiências bastante marcantes com pessoas que possuem as características dessa Rainha e, se me permitirem, irei falar da minha.

Minha própria mãe era a versão humana dessa carta do tarot: ativa, muito trabalhadora, incansável em sua missão pessoal de transformar a vida de todos os seus em algo melhor, mais agradável, mais reconfortante e confortável. Exímia cozinheira, fazia das panelas e fogões o seu escritório onde era chefe, secretária e office-boy, pois não admitia ajuda de ninguém no preparo das refeições e merendas. Lastimava-se por não saber costurar, mas dedicava muitas horas ao bordado, enfeitando seus panos de prato, suas toalhinhas de mão, com delicadas imagens feitas em ponto-cruz.

Ao saber que alguém da família estivesse adoecido, assumia um personagem tipo Florence Nightingale e não saía mais da cabeceira do paciente, vigiando a ministração de medicamentos como se fora um relojoeiro suíço e oferecendo reconfortantes caldinhos e chazinhos a todo o momento. Dizer que a casa era imaculadamente arrumada e limpa seria pleonasmo no caso dela. Adorava enfeitar vasos e jarros com flores frescas colhidas no jardim que ela mesma plantava e cuidava. Era analfabeta, mas cuidava dos meus estudos, das notas escolares, do cumprimento das tarefas diárias como um rigor militar. Ver-nos bem arrumados, bem alimentados, com boas notas no boletim da escola, saudáveis e alegres, merecedores da atenção e de elogios das suas amigas e conhecidas era o seu objetivo maior.

Isso não significa que ela própria não se valorizasse. Sim, era vaidosa, sabia realçar sua beleza com roupas e acessórios elegantes. Ressentia-se da sua deficiência de cultura formal mas buscava suprir com muito charme, simpatia e, sobretudo, uma atenção quadruplicada a tudo o que ouvia e via. Altamente intuitiva, possuía aquela sabedoria das pessoas simples, que nasceram e cresceram no campo, no trabalho pesado, ajudando desde muito cedo a mãe viúva a criar um verdadeiro exército de irmãos e irmãs. Generosa ao extremo, continuou durante toda a vida a se preocupar com o bem estar de todos que lhe atravessassem o caminho.

Práticas, produtivas, funcionais, atentas aos aspectos materiais da existência (saúde, dinheiro, beleza, bens, etc), as Rainhas de Ouro são personagens que se desenvolvem e enriquecem (espiritualmente) ao trabalharem pela segurança e excelência na qualidade de vida dos outros. Se bem analisarmos, esse é o perfil de todo trabalhador dedicado, independente do gênero, aquele que faz do seu trabalho um meio de colaborar na construção de um mundo melhor.

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