Tarot : Tudo tem seu tempo. Nada é para sempre

Por Maya Santana
 Não há felicidade que dure para sempre, nem tristeza eterna

Não há felicidade que dure para sempre, nem tristeza eterna

Alexandre Moreira, Tarólogo

Ninguém passa pela Vida em brancas nuvens, dizia o poeta. É um lugar-comum, um chavão, um clichê por demais usado mas que muito bem define uma das cartas mais interessantes do tarot: a Roda da Fortuna.

O Arcano X, décima carta na sequência dos arcanos maiores do tarot, nos fala do destino, daquilo que nós estamos predestinados a viver. Sobre ele muito pouco se tem controle porque a própria ideia envolve um outro (se me permitirem) clichê: “assim estava escrito”.

O que essa carta nos remete é o conceito de impermanência. Tudo tem seu tempo, nada é para sempre. Tudo o que sobe, um dia cai. Não há felicidade que dure para sempre, nem tristeza eterna. E tantas e tantas outras frases de efeito que tão bem conhecemos e empregamos quando queremos nos referir ao fato que nada é estático, que tudo está em contínuo movimento, em contínua transformação.

Sabemos quando estamos nos sentindo mal, doentes, porque temos conhecimento da sensação física e mental que é estar bem, saudável. Sabemos o que é solidão porque podemos compará-la a momentos de compartilhamento, de convívio social. Entendemos o que é escuridão exatamente porque conhecemos a luz. Só podemos vivenciar o sucesso se tivermos ao menos uma mínima noção de fracasso. E procuramos o médico quando estamos deprimidos porque queremos voltar a nos sentir animados. Todas essas experiências são vivenciadas no girar da Roda da Fortuna.

Muitas vezes lastimamos a vida que levamos, acusando a uns e outros pelo nosso, digamos, infortúnio, quando na verdade deveríamos compreender que até aquilo que consideramos “má sorte” acabará um dia. Mas, cabe aqui uma reflexão: qual a nossa parcela de participação na maneira que vivemos? Quanto realmente nos esforçamos para termos vidas harmoniosas, equilibradas, éticas, pacíficas? Quanto não contribuímos, com atitudes impensadas e até mesmo masoquistas para transformarmos as más experiências numa verdadeira noite eterna em nossas vidas?

Quando a Roda da Fortuna aparece numa jogada de tarot devemos nos preparar para mudanças, para alterações, para novas experiências. Se as coisas andam difíceis, há grandes chances de melhoras. Se, ao contrário, tudo parece um mar-de-rosas, poderemos ter que enfrentar alguns problemas. Podemos fazer isso de maneira sóbria, sensata, inteligentemente, ou mergulharmos numa espiral descendente, angustiados e desesperançosos. A escolha é nossa.

Por mais que possamos nos precaver a respeito do que nos aguarda num futuro próximo ou distante, nada nos garante que esses esforços irão ser de alguma utilidade para evitar os possíveis percalços que a Vida (o Destino, a Sorte, a Sina, etc) nos reserva. E, se dias piores substituírem as alegrias de hoje, haveremos de encará-los como um desafio à nossa inteligência, à nossa capacidade de sobrevivência, ao nosso desejo e preparo para superar grandes e pequenos obstáculos e, sobretudo, à nossa fé: em nós, na Vida e na fagulha do Divino que nos habita.


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