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Técnica francesa para tratar tonteiras, vertigens e labirintite

Por Maya Santana

Depois de procurar vários médicos, a vertigem de Celina Cambraia foi diagnosticada

Depois de procurar vários médicos, a vertigem de Celina Cambraia, 68, foi diagnosticada

Só quem já teve labirintite ou algum tipo de tonteira sabe como estes transtornos podem ter impacto negativo na vida da gente. É muito comum ver pessoas se queixando, principalmente de labirintite. Este artigo de Carolina Costa, do Estado de Minas, fala de uma técnica usada na França e adotada pela fisioterapeuta Angela Bessa, para tratar pacientes com desequilíbrio corporal, com ótimos resultados. Não existe autotratamento em casa. Tudo é feito no próprio consultório da médica.

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O equilíbrio corporal é resultado da integração de diversos sistemas que mantêm o corpo contra a ação da gravidade, tanto em repouso, quanto em movimento. Esses sistemas, entretanto, podem entrar em desequilíbrio e provocar vertigens, tonturas, sensação de flutuação e queda. Isso gera desconforto e insegurança, já que muitas pessoas temem não conseguir exercer atividades físicas rotineiras. Com o envelhecimento, e o risco que é uma queda em idade avançada, evitar esse desequilíbrio se torna ainda mais importante. E há recursos para tratá-los.

As principais causas dos desequilíbrios são conflitos sensoriais entre as informações (visual, vestibular e proprioceptiva) que chegam ate o cérebro. Se uma dessas informações for incoerente com a outra, e com o modelo interno já existente no cérebro, ocorre uma desorientação sensorial e a resposta é a tontura, as vertigens, desequilíbrio, náuseas, sinalizando que algo está errado. A queda no idoso é caracterizada como alteração cognitiva, na qual o cérebro fica desorientado espacialmente pelas informações incoerentes.

Na primeira metade do século passado, o tratamento da tontura era feito com cirurgia do nervo vestibular do labirinto. A fisioterapia vestibular só surgiu na década de 1940, sendo definida como uma abordagem específica para reduzir os sintomas e promover a adaptação e substituição das disfunções vestibulares relacionadas a diversos distúrbios do equilíbrio. Esse tipo de fisioterapia é reconhecido no Brasil desde 2012 e um de seus recursos é a terapia de reabilitação vestibular (TRV), tratamento complementar não invasivo.

Óculos de realidade virtual são utilizados pela fisioterapeuta Angela Bessa para tratar pacientes com desequilíbrio corporal

Óculos de realidade virtual são utilizados pela fisioterapeuta Angela Bessa para tratar pacientes com desequilíbrio corporal

Baseada em um grupo de exercícios personalizados, que, em conjunto com medicamentos, quando indicados, modificações dos hábitos de vida e orientação alimentar, a TRV promove resultados a curto e a longo prazos no controle postural, proporcionando acentuada melhora na qualidade de vida dos pacientes. A fisioterapeuta Angela Bessa trabalha com reabilitação do sistema vestibular e do equilíbrio, em Belo Horizonte. Com formação em vertigens e distúrbios do equilíbrio pela Université de Medecine de Reims (França), estudou reabilitação vestibular em Paris com Alain Semont e aplica suas técnicas.

Segundo a especialista, o tratamento é especializado para as patologias vestibulares e está ligado a normalização das entradas sensoriais (visão, propriocepção e sistema vestibular). São elas que oferecem as informações, em tempo real, para o equilíbrio e a postura. Os conhecimentos se baseiam na neurofisiologia e na neurociência e a técnica é aplicada por meio de aparelhos capazes de fazer o diagnóstico e o tratamento ao mesmo tempo.

Ângela está trabalhando com dois novos aparelhos. Um deles é um software desenvolvido na França exclusivamente para tratar essas patologias, simulando as atividades da vida diária. “São óculos de realidade virtual, na qual o paciente fica na integralidade de seu campo visual estimulado. O objetivo é reproduzir o distúrbio que sente no cotidiano”, explica.

Tudo é feito no consultório, não existe autotratamento em casa, pois é um tratamento neurossensorial dos reflexos e, por isso, são necessários os aparelhos que estimulam o conflito sensorial que o paciente tem e, com isso, o cérebro encontra solução por ele mesmo, obtendo um rápido resultado. Não existem exercícios premeditados (neuromotor), ginásticas. “Aos poucos, o paciente vai adquirindo autonomia e novas estratégias posturais, se integrando em suas atividades rotineiras, melhorando sua qualidade de vida”, explica. As sessões dependem de cada caso e da capacidade de o cérebro do paciente reagir às novas formações de novo modelo interno. “É um aprendizado, como aprender a andar de bicicleta. Assim que uma nova via é formada, ele recebe alta”, explica. Clique aqui para ler mais.

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