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A quem você delegaria o poder de decidir sobre seus últimos dias?

Por Maya Santana

O número de pessoas fazendo seu testamento vital só tem aumentado

O número de pessoas fazendo seu testamento vital só tem aumentado

O título deste ótimo artigo de Cristiane Segatto, da revista Época, é “Boas razões para fazer o testamento vital”, ou seja para deixar registrado em documento como é que você quer que seja seus momentos finais, caso venha a ser internado num hospital, sem chance de cura e capacidade de raciocínio? A gente tende a não querer parar para pensar nesse assunto. Mas, principalmente a partir de uma certa idade, não há como fugir. É por isso que um número cada vez maior de pessoas vem fazendo seu testamento vital, como mostra o artigo.

Leia:

Passamos a vida lutando pelo direito de escolher, opinar e expressar vontades. Faz sentido abrir mão disso quando o fim se aproxima? A quem você delegaria o poder de decidir em seu lugar, caso estivesse internado num hospital, sem chance de cura e capacidade de raciocínio?

a) Ao marido, à mulher ou aos filhos que estarão exaustos e com as emoções em frangalhos?
b) Ao primo distante que veio dar uma força à família, mas sequer sabe para qual time você torce?
c) Ao médico que vai tentar medidas heroicas e inúteis com medo de ser acusado de omissão?
d) Ao hospital que prolongará sua estada enquanto for possível engordar a conta com remédios, cânulas, sondas, pacotes e pacotes de algodão e gaze a preços vitaminados?

Muita gente tem percebido o disparate e registrado, oficialmente, desejos e instruções para o final da vida. De janeiro a junho de 2015, 256 pessoas registraram o chamado testamento vital nos cartórios do Brasil. Em 2014 inteiro, foram lavrados 548 documentos. Os estados com maior número de registros são São Paulo (377), Mato Grosso (86) e Rio Grande do Sul (53).

A tendência é de crescimento, segundo o Colégio Notarial do Brasil. Em 2012, ano em que o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou a questão, houve apenas 167 registros no país. O CFM determinou que os médicos respeitem a vontade do paciente incapacitado de se manifestar, caso ele tenha se preocupado em deixá-la registrada previamente.

No meio jurídico, os especialistas preferem chamar esse tipo de documento de Diretivas Antecipadas de Vontade. Isso porque testamento só produz efeito quando a pessoa morre. Algo diferente do documento em questão, que dá instruções sobre o final da vida.

Por enquanto, a maioria dos que procuram um cartório para registrar instruções viveu a experiência dolorosa de ver a internação prolongada de um amigo ou parente. “São pessoas que viveram os conflitos que essa situação gera e não querem deixar esse peso para a família”, diz Andrey Guimarães Duarte, diretor da seção São Paulo do Colégio Notarial do Brasil. Clique aqui para ler mais.

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