Tini Lopez: o cantor que fez todo o planeta dançar nos anos 60

Todo mundo, além de dançar, cantava junto com Trini Lopez. O cantor morreu no dia 11 de agosto, aos 83 anos, em consequência da covid-19

Quem, com mais de 60 anos, não se lembra do fenômeno Trini Lopez, o cantor americano de ascendência latina que, literalmente, fez todo o planeta dançar ao ritmo delicioso de suas músicas? Era sempre uma tremenda animação. Como diz Arthur Xexéu nesta crônica sobre o cantor, morto na semana passada, aos 83 anos, de covid-19, se o baile estava desanimado, era só colocar uma das músicas de Trini Lopes e a pista fervia. Suas canções eram realmente “um convite irresistível à dança.” Com sua morte, desaparece mais um símbolo daqueles agitados e gloriosos anos 60.

Leia a crônica de Xexéu:

Pra quem está chegando agora, é difícil imaginar o impacto que a música de Trini Lopez provocou no planeta. O cantor texano gravou um disco que, por algum tempo (e não foi pouco), animou a totalidade das festas caseiras organizadas na década de 60 do século passado. Se a festa estivesse desanimada, era só tocar o tal disco que o salão ficava cheio. E todo mundo, além de dançar, cantava junto com o cantor. Trini Lopez era um irresistível convite à dança.

O cantor com os Beatles, na década de 1960

Trini Lopez não lançava canções. Ele as regravava, acrescentando o que Wilson Simonal chamaria de champignon. Mexia no andamento e transformava qualquer gênero no… gênero Trini Lopez. Não falei de Simonal por acaso. Na sua fase de maior sucesso, o cantor brasileiro também fazia isso com a música. Mas Trini Lopez fez antes. O tal disco animador de festas era o “Trini Lopez at PJ’s”, gravado ao vivo numa boate de Los Angeles e lançado em 1963.

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Outro artista brasileiro que repetiu o modelo com sucesso foi A Turma da Pilantragem, criado em 1968 por Nonato Buzar. O grupo trazia a releitura de clássicos da MPB em arranjos dançantes e, embora gravado em estúdio, dando a impressão de que uma plateia o acompanhava.

Nos obituários do artista, publicados na semana passada, foram destacadas suas versões para “If I had a hammer” e “La bamba”. São demonstrações de que Lopez procurava canções de sucesso para fazer mais sucesso ainda. “If I had a hammer” é uma folk song de 1949, lançada pelo quarteto vocal The Weavers, que parece até outra música quando ouvida a versão original. “La bamba”, como sabe todo mundo que viu o filme de mesmo nome em 1987, foi lançada por Ritchie Valens em 1958.

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“If I had a hammer” e “La bamba” foram mesmo grandes sucessos. Mas limitar o disco de Lopez a estas canções é diminuir a sua excelência. Simplesmente todas as 14 faixas do LP eram sensacionais e garantiam a animação em qualquer hi-fi (era assim que se chamavam as resenhas do meu tempo).

O disco era aberto lá em cima com “A-me-ri-ca”, de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, do musical “Amor sublime amor”. Só depois vinha o hit do martelo seguido por uma releitura festeira da melancólica “Bye bye, blackbird” e uma surpreendente versão de… “Cielito lindo”! Se você dissesse a um jovem da minha época que ele um dia estaria dançando e cantando “Ay ay ay ay / Canta y no llores”, ele diria que você fundiu a cuca. Mas Trini Lopez fez isso acontecer.

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