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Tomie Ohtake chega aos 101 anos ainda trabalhando

Por Maya Santana

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Ana Maria Cavalcanti

A pintora Tomie Otake já viveu um século inteirinho, um privilégio para poucos. Hoje completando 101 anos de vida, ela continua firme e forte fazendo o que mais gosta: pintar. Acorda cedo, come em horas certas, faz fisioterapia, anda de cadeira de rodas. É vaidosa – nunca deixa de pintar o cabelo de preto. As roupas que usa também são sempre pretas.

Aos 101 anos seu ritmo de trabalhou diminuiu, mas três vezes por semana, Tomie, passa o dia pintando em seu ateliê, construído nos jardins da casa, cheio de luz. “ É engraçado”, diz ela com seu sotaque japonês característico, “nunca senti a passagem dos anos.”

Tomie com os filhos ainda bem pequeninos

Tomie com os filhos ainda bem pequeninos

Viúva, vive numa casa ampla, projetada pelo filho, o arquiteto Ruy Ohtake, no bairro de Campo Belo, São Paulo, cheia de esculturas e cercada de plantas por todos os lados – plantas oferecidas a ela por Burle Marx, anos atrás. Um verdadeiro paraíso. No jardim, gosta de alimentar os passarinhos.

Seu dia preferido é o domingo quando recebe filhos e netos para o almoço. Não gosta de cinema e nem de TV, mas adora ler, inclusive em japonês.

Nascida em Kioto no Japão, em 1913, com o nome de Tomie Nakakubo, a pintora chegou ao Brasil em 1936, com o irmão, que voltou ao Japão três anos depois, para lutar pelo país na Segunda Guerra Mundial. Morreu lutando. Tomie quis ficar em São Paulo, onde tinha outro irmão. Foi quando a mão do destino entrou em ação e ela viveu uma linda história de amor. O irmão tinha um laboratório com um sócio, Oshio Ohtake. Quando foram apresentados foi amor à primeira vista: “Ele era um homem muito bonito,” relembra ela. Em apenas um mês estavam casados, para espanto da família. Ela tinha 23 anos, teve dois filhos e o casamento só acabou em quando Oshio morreu em 1977.

Com a família, ainda no Japão

Com a família, ainda no Japão

Tomie começou a trabalhar, aos 40 anos de idade. Acreditava que cuidar de sua família era mais importante que qualquer outra coisa. Mas quando os dois meninos viraram homens, Tomie pegou os pincéis e nunca mais largou. Primeiro, ela foi orientada pelo pintor japonês Keisuke Sugano. Logo de cara mostrou que tinha talento e, em menos de um ano, já estava expondo no MASP, Museu de Arte Moderna de SP.

O estilo dela era figurativo, mas com o tempo, nos anos 60, tornou-se abstrato e foi pintando assim que se tornou mais conhecida. Sua principal influência foi de Mark Rothko, ( 1903-1970) seu pintor preferido.

Monumento criado pela artista para celebrar os 80 anos da imigração japonesa no Brasil

Monumento criado pela artista nos 80 anos da imigração japonesa no Brasil

Tomie faz esculturas também e tem 27 obras públicas em diferentes cidades do Brasil. É o caso, da enorme escultura de 30 metros de comprimento na Avenida 23 de Maio, em São Paulo. A artista moldou o concreto armado em curvas enormes com muita leveza.

Naturalizada brasileira, é considerada uma de nossas artistas mais importantes. Participou de cinco bienais, inclusive foi convidada a expor na Bienal de Veneza, em 1972. Fez 50 exposições individuais, 85 coletivas e conquistou 28 prêmios.

Tomie Ohtake é um fenômeno raro. Alcançou uma popularidade incomum para um artista plástico no Brasil, sempre muito elogiada pelos críticos de arte, por sua pintura contida, nipônica. Segundo o crítico Frederico Morais, um de seus grandes fãs, a pintura de Tomie é como ela: “De poucas palavras.”

Veja a reportagem sobre a artista, quando ela completou 100 anos:

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14 Comentários

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Ana 12 de fevereiro de 2015 - 20:27

Foi um prazer escrever sobre Tomie. Q descanse em paz: missão cumprida.

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olyntho A.f. Censoni 2 de janeiro de 2015 - 15:21

Maravilhosa senhora Tomie Ohtake!! Pura arte, pura vida!! 1000 anos de vida cheia de saúde!!

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Edson Kricheldorf 31 de dezembro de 2014 - 10:37

Um exemplo concreto que as pessoas envelhecem quando os objetivos cessam. Tomie Otake é o antídoto desse conceito, demonstrando interesse, vitalidade,amor a arte e, principalmente gostar e saber viver.Parabéns e vida longa!

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Esther Benjó 30 de dezembro de 2014 - 18:53

Tomie é dessas belezas raríssimas de se encontrar,é única.

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Luis Carlos 30 de dezembro de 2014 - 11:50

Essa senhora é uma linda artista que contribui para a nossa arte brasileira, parabéns Tomie.

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Yonne Rossini Menichelli 27 de dezembro de 2014 - 11:36

Parabéns Tomie ! Você revela o MARAVILHAMENTO que faz parte da sua vida.

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Marcia Helena Zanini 27 de dezembro de 2014 - 10:01

Que rostinho sereno e sábio!
Simples como tudo que há de bom!
Obrigada por existir, agradável senhora!

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Nelson Felix 23 de dezembro de 2014 - 11:18

parabéns !
obrigado por tua Arte !
beijos
nelson

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Fer 18 de dezembro de 2014 - 22:37

Parabéns, Tomie. Uma inspiração para todos os que prezam a arte e a sabedoria de viver!

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leide P. Monteiro 5 de dezembro de 2014 - 21:56

A Arte é sempre o melhor alimento para nosso espirito.

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monica forster 3 de dezembro de 2014 - 19:11

Parabéns Senhora, ficamos felizes em saber que foi por opção que escolheu viver no Brasil,devemos muito a sua pessoa. Felicidades.

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Elza Cataldo
Elza Cataldo 20 de novembro de 2014 - 13:44

Ana, obrigada por nos lembrar, através da Tomie, que a vida pode ser longa, plena e estética.

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Regina Ananias 20 de novembro de 2014 - 12:40

Parabéns TOMIE ! Obrigada pelo legado artístico que construiu nestes anos para todos nós brasileiros tão carentes de beleza e alegria.

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lisa santana 20 de novembro de 2014 - 09:19

Tomie é um Bonsai. Linda.

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